A Anthropic relatou o uso do sistema de inteligência artificial Claude em operações de vigilância patrocinadas por Estados, propaganda, desenvolvimento de armas e aplicativos de relacionamento operados por personagens artificiais.
No Mali, um consultor de tecnologia em Bamako, que colaborava com o serviço de inteligência estatal controlado pela junta militar, usou o Claude Code para criar o Lakana 360. O sistema poderia monitorar cerca de 25 milhões de cartões SIM, interceptar chamadas, mensagens de texto e tráfego de voz, além de identificar pessoas pela voz mesmo após a troca de chip. A ferramenta também teria capacidade para detectar usuários de criptografia ou redes privadas virtuais (VPNs). A Anthropic afirmou que não conseguiu desativá-la.
Na Rússia, uma equipe de desenvolvedores usou o Claude para criar um software destinado a drones autônomos “kamikazes”. O enxame escolheria os próprios alvos e lançaria ataques sem uma decisão final humana. Os desenvolvedores disseram ter recebido financiamento de programas de pesquisa governamentais e militares russos, mas a Anthropic classificou o grupo como independente.
No norte do Iêmen, o Claude Code foi usado para auxiliar na fabricação de armamentos. O grupo elaborou o software de um foguete guiado, projetos de um míssil de longo alcance e contribuições para um veículo planador hipersônico. Segundo a Anthropic, não há evidências de uma arma funcional. O grupo realizou um teste de foguete e depois voltou a consultar a IA para tentar identificar o que havia dado errado.
Propaganda e relacionamentos artificiais
Campanhas de propaganda tiveram como foco o Brasil, os Estados Unidos e a França. Os sites usavam jornalistas fictícios e contas falsas na rede social X, impulsionadas por centenas de perfis que publicavam comentários com aparência de autoria humana. Outra campanha, vinculada aos Emirados Árabes Unidos, mirou a Irmandade Muçulmana e especialistas das Nações Unidas críticos ao suposto papel de Abu Dhabi na guerra do Sudão. O Claude foi usado para produzir relatórios, conteúdo para redes sociais e depoimentos.
Na China, um estúdio criou uma rede de mais de 20 aplicativos de relacionamento que diziam reunir pessoas reais, mas eram operados secretamente pelo Claude. Em apenas duas semanas de abril, a Anthropic identificou mais de 4.700 personagens de IA, que interagiram com pelo menos 25 mil usuários reais e enviaram cerca de 2,36 milhões de mensagens. Trabalhadores reais eram misturados aos robôs na proporção aproximada de uma pessoa para cada três personalidades de IA, inclusive para tarefas como chamadas de vídeo.



