MAUI, HAVAÍ — A Alibaba apresentou o Qwen Book, um conceito de computador 2 em 1 centrado no modelo de linguagem Qwen. O dispositivo não executa, fora do ecossistema da companhia, atividades além de aplicativos básicos como Terminal, Calculadora e Câmera. O lançamento está previsto para o fim de 2026, inicialmente na China.
O equipamento foi mostrado durante a Snapdragon Summit 2026 e usa o processador Snapdragon 8 Elite Gen 5. A configuração deve contar com pelo menos 12 GB de RAM. Mesmo com esse hardware, a maior parte das tarefas seria processada na nuvem, e não no próprio aparelho.
Operação baseada em agentes
Quando está sem conexão, o Qwen Book fica limitado a uma versão mais restrita do modelo da Alibaba, com 4 bilhões de parâmetros. Conectado à internet, pode acessar o Qwen3.8-Max, com mais de 2,4 TRILHÕES de parâmetros.
O Qwen administra a interface gráfica e as funções do dispositivo. De acordo com a descrição apresentada, o modelo permite executar simultaneamente, na nuvem, aplicativos de Windows, Linux e Android, sem emulação. O computador funcionaria como um terminal de acesso, exibindo as respostas às solicitações do usuário.
A Alibaba descreve a proposta como “OS as a harness”: agentes de inteligência artificial assumiriam funções tradicionalmente desempenhadas por um sistema operacional, enquanto o processamento pesado seria direcionado à nuvem. A empresa também afirma que o Qwen3.8-Max pode “programar apps inteiros do zero via comandos de texto”.
A companhia ainda não divulgou informações oficiais detalhadas sobre o Qwen Book. O projeto também não está pronto, segundo a própria Alibaba teria informado a criadores de conteúdo e jornalistas presentes no evento. Entre os recursos apresentados está uma tela secundária na traseira, abaixo da câmera, que poderia informar o andamento de solicitações quando o 2 em 1 estivesse conectado ao teclado e fechado.
Debate sobre o futuro do PC
O conceito aparece em meio à alta dos preços de componentes e à escassez de peças, associadas à concentração de esforços de fabricantes em data centers e clientes corporativos. A proposta também reforça a possibilidade de uma migração de computadores mais customizáveis, baseados em x86, para designs centrados em ARM.
Nirav Patel, CEO da Framework, afirmou que o PC na nuvem tem impacto econômico crescente e que, diante de restrições de fornecimento, a nuvem tende a ser mais lucrativa. Para ele, a indústria caminha para a transferência do poder computacional e para a substituição da propriedade por planos de assinatura.
Steve Long, chefe do setor comercial de dispositivos inteligentes da Lenovo, disse durante a CES 2026 não acreditar que tudo será executado na nuvem. Ele também afirmou que não vê sentido em manter todo o processamento localmente e defendeu uma solução híbrida, com parte das tarefas no aparelho e outra parte em data centers.



