O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deve prestar novo depoimento à Polícia Federal nesta quarta-feira (30), a partir das 14h. A oitiva será realizada por videoconferência e deve tratar da atuação do grupo chamado “A Turma”.
A PF investiga a possível existência de uma organização criminosa dividida em quatro núcleos, com funções específicas e atuação coordenada por Vorcaro. O caso está relacionado à terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em março deste ano.
Nessa etapa, a investigação apontou o banqueiro como responsável pela articulação de ações financeiras e pela elaboração de estratégias atribuídas ao grupo. A PF afirma que a organização estaria envolvida em fraudes financeiras, corrupção, ocultação de patrimônio, intimidação e obstrução de justiça. Vorcaro foi preso pela segunda vez durante essa fase da operação.
Contestação da prisão
A defesa pediu, em setembro, a revogação ou a substituição da prisão preventiva. Os advogados afirmaram que Vorcaro “vem tentando cooperar com as investigações e com a Justiça por meio dos institutos previstos pela legislação processual penal”, mas teve poucas oportunidades para se manifestar verbalmente.
A prisão foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. Na decisão, ele citou “risco concreto de interferência nas investigações”. A defesa contestou a justificativa e classificou as alegações como impertinentes.
Em documento encaminhado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, os advogados disseram que os fatos usados para fundamentar a prisão não seriam atuais. Segundo a defesa, os episódios ocorreram antes da existência da investigação e teriam sido praticados por terceiros.
Os advogados também sustentaram que, após quase 12 meses de prisão preventiva, não surgiram novos episódios semelhantes nem elementos concretos que apontassem possibilidade de repetição da conduta. No pedido, afirmaram ainda que não houve atos para embaraçar uma investigação que, à época, sequer existia, e defenderam a exigência de fatos novos ou contemporâneos para justificar a medida.



