SÃO PAULO — O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, suspendeu nesta terça-feira (15) a sessão que avaliava a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes. O debate ocorreu após relatório da Polícia Federal apontar o ministro como interlocutor de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Antes da interrupção, Fachin proclamou resultado temporário de 4 a 3 contra a análise conjunta dos casos de Moraes e André Mendonça, também ministro do STF. Cristiano Zanin e Moraes votaram pela questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes, que defendia a unificação. Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram contra.
Flávio Dino pediu vista, o que pode suspender a análise por até 90 dias. Ele indicou apoio à reunião dos processos, mas seu voto não entrou no placar. Dias Toffoli não participou por suspeição, enquanto Kassio Nunes Marques declarou impedimento.
Votos e divergências
Moraes sustentou que não havia, até aquele momento, pedido formal de investigação contra ele feito pela Polícia Federal, pelo Ministério Público ou por Mendonça. Também criticou os prazos dos processos e chamou a situação de “miscelânia procedimental”. O ministro acusou Mendonça de ter pedido, em reunião com a Polícia Federal, sua inclusão em acordo de colaboração premiada de Daniel Vorcaro.
Mendonça negou as acusações, classificou-as como mentira e votou contra a unificação. Ele afirmou que recebe advogados de todas as partes e que, caso houvesse delação, analisaria os critérios apresentados. Durante a sessão, discutiu com Gilmar Mendes, que o acusou de viés político-eleitoral.
Fachin rejeitou a questão de ordem e negou ter “avocado a relatoria” do processo. Ele havia retirado Mendonça da função no sábado (12) e assumido o caso. Dino questionou a decisão e afirmou que um presidente não poderia destituir um relator em nenhum tribunal.
Fux também votou contra a unificação. Ele disse nunca ter conhecido Vorcaro, embora mensagens citassem uma relação de proximidade do ex-banqueiro com Rodrigo Fux, filho do ministro. Cármen Lúcia acompanhou Fachin e justificou o voto por ser deferente ao relator.
Zanin votou a favor da questão de ordem de Gilmar. Toffoli permaneceu no plenário, mas não votou. Ele afirmou que seu afastamento da relatoria do caso Master, em março, buscou preservar a corte.
Kassio Nunes Marques deixou o plenário após declarar impedimento. O ministro citou a necessidade de preservar o equilíbrio do processo eleitoral por presidir o Tribunal Superior Eleitoral e disse que sua missão era assegurar o equilíbrio nas eleições de 2026. A saída ocorreu após diálogos do celular de Vorcaro mencionarem pagamentos ao filho de Nunes Marques.



