CURITIBA, PR — José Dirceu, João Paulo Cunha, Delúbio Soares e André Vargas voltam ao jogo eleitoral em 2026 com candidaturas à Câmara dos Deputados. Os quatro tiveram trajetórias ligadas ao PT e foram atingidos por processos, prisões ou cassações no mensalão e na Lava Jato.
As campanhas destacam a proximidade que os candidatos mantiveram com o presidente Lula, além de pautas atuais como o fim da escala de trabalho 6 por 1 e a defesa da soberania. As referências aos períodos mais difíceis das trajetórias aparecem de forma genérica, enquanto os candidatos ressaltam a atuação política anterior e a lealdade ao partido.
Candidatos por Goiás e São Paulo
Delúbio Soares, 70, disputa uma vaga por Goiás, estado onde foi sindicalista e ajudou a fundar a CUT. Ele usa um chapéu panamá semelhante ao adotado por Lula e se apresenta como “o amigo do Lula”. Em junho, durante uma agenda em Catalão (GO), o presidente caminhou até o ex-tesoureiro para cumprimentá-lo.
“Não estou voltando para ter resgate de nada. É porque há uma necessidade de ampliar a bancada do PT”, disse Delúbio em entrevista. Ele foi expulso do partido em 2005, após o mensalão, e depois se tornou alvo da Lava Jato.
Delúbio foi condenado a 6 anos e 8 meses por corrupção ativa. Cumpriu mais de dois anos de pena e foi liberado em março de 2016, após um indulto de natal assinado por Dilma Rousseff. Em seguida, recebeu outra condenação, de 6 anos, pela Lava Jato. A prisão foi revogada em novembro de 2019. Em 2023, o STJ anulou a sentença por entender que o caso deveria ter tramitado na Justiça Eleitoral.
João Paulo Cunha, 68, é candidato por São Paulo. Fundador do PT em Osasco na década de 1980, foi deputado federal por cinco mandatos, de 1995 a 2014, e presidiu a Câmara de 2003 a 2005. Condenado em 2012 a 6 anos e 4 meses por corrupção passiva e peculato, foi preso em 2014 e recebeu alvará de soltura no início de 2016, após o indulto de natal de Dilma.
Dirceu e Vargas
Zé Dirceu, 80, também concorre por São Paulo. Ex-ministro-chefe da Casa Civil, três vezes deputado federal e ex-presidente nacional do PT, foi cassado pela Câmara em 2005 e preso no final de 2013. O STF o condenou a 7 anos e 11 meses por corrupção ativa.
As condenações determinadas pelo então juiz federal Sergio Moro na Lava Jato foram anuladas pelo STF em 2024. Em vídeo de apoio, Lula afirmou que o voto em Dirceu representaria uma reparação histórica.
André Vargas, 62, disputa uma vaga pelo Paraná. Ex-vice-presidente da Câmara e ex-presidente do PT no estado, teve dois processos da Lava Jato anulados pelo STF em 2022 e 2023. Ele havia sido condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, crimes que nega.
Vargas ficou preso de 2015 a 2018 e deixou o PT em 2014, antes da campanha pela reeleição de Dilma ao Planalto. Foi cassado pela Câmara no final daquele ano e voltou ao partido no início de 2023. Na campanha, recebe apoio da deputada federal Gleisi Hoffmann, candidata ao Senado pelo Paraná.



