A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) passou a ocupar o centro das campanhas ao Senado em SC, mas teve pouca presença nos planos de governo dos candidatos à Casa d’Agronômica. Entre os oito nomes que disputam o governo, apenas Bruno Pedreiro, do PCO, mencionou a Suprema Corte no documento apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O plano de Pedreiro reproduz um programa nacional do partido e defende o fim da Suprema Corte. Os demais documentos se concentram em temas ligados à atuação do governador e às demandas de SC, como infraestrutura e educação.
Supremo domina campanhas ao Senado
A atuação dos ministros do STF já era explorada pelos candidatos ao Senado nas primeiras semanas de campanha. O tema ganhou força na última semana, em meio à crise que pode levar à investigação de alguns ministros da Corte e às revelações relacionadas ao Banco Master.
Esperidião Amin, do PP, citou os enfrentamentos com o ministro Alexandre de Moraes no primeiro programa do horário eleitoral. Na semana passada, publicou um vídeo com trechos de discursos em que criticava decisões do STF e dizia que sua “batalha” contra supostos abusos da Corte “não começou ontem, nem às vésperas da eleição”. Amin também cancelou a agenda de campanha e viajou a Brasília para acompanhar os desdobramentos da crise.
Carol de Toni, do PL, relembrou, em um vídeo ao lado das filhas, reações a decisões do STF durante sua atuação como deputada federal. Depois de afirmar que “fez o que pôde” na Câmara dos Deputados, defendeu um papel mais relevante dos senadores em temas como o impeachment de ministros.
Carlos Bolsonaro, também do PL, republicou manchetes sobre a crise no Supremo e tentou associar o escândalo do Banco Master ao governo petista. Antídio Lunelli, do MDB, divulgou uma animação em que um personagem simula o candidato em uma sessão do Supremo, denunciando o contrato de Daniel Vorcaro com a esposa de Alexandre de Moraes.
Jefferson Rocha, do PRD, estava em Brasília no dia 2 de setembro, quando foram reveladas mensagens de Vorcaro a Moraes. Uma reunião em que ele atuaria em uma ação de interesse do setor agropecuário de SC foi adiada por causa da crise. O candidato publicou um vídeo criticando o adiamento e o suposto envolvimento de Moraes no escândalo do Banco Master.
Entre os candidatos de esquerda, Décio Lima, do PT, divulgou reações de Lula à crise no STF e abordou revelações ligadas ao filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, que recebeu pagamentos de Vorcaro. Afrânio Boppré, do PSOL, publicou vídeos sobre supostas alianças de nomes da direita, como Nikolas Fereira, do PL, com Vorcaro.
Disputa pelo Senado
A pesquisa Quaest contratada pela NSC e divulgada no dia 24 de agosto apontou Amin numericamente à frente na soma dos dois votos, com 19%. Carlos Bolsonaro tinha 16%, Carol de Toni, 12%, e Décio Lima, 9%. Os dois mais votados serão eleitos para o Senado, com mandato de oito anos.
O 1º turno ocorre no dia 4 de outubro. Se houver necessidade, o 2º turno está previsto para 25 de outubro.



