BRASÍLIA — A divulgação de documentos do caso Banco Master ampliou o embate entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). André Mendonça tornou públicos inicialmente 15 procedimentos e, após determinação de Edson Fachin, liberou 38 investigações relacionadas a fraudes atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ainda não se sabe quantos inquéritos integram o caso ao todo.
A documentação confirmou que Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, é investigado por sua atuação nas negociações para que Vorcaro financiasse o filme “Dark Horse”, sobre seu pai, Jair Bolsonaro. A Polícia Federal apura possível lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e delitos relacionados.
Segundo a PF, Flávio era “interlocutor direto” de Vorcaro e fez “reiteradas cobranças” para que o ex-banqueiro investisse na produção. O senador negociou financiamento de pelo menos US$ 24 milhões, dos quais ao menos US$ 12,3 milhões foram efetivamente pagos. A suspeita é de que parte dos recursos tenha bancado a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Flávio defendeu a divulgação integral dos documentos e afirmou: “Para mim, a melhor coisa que pode acontecer é a transparência total sobre esse assunto.”
Disputa no Supremo
A liberação parcial dos dados provocou críticas de ministros. Alexandre de Moraes acusou Mendonça de escolher “subjetivamente o levantamento do sigilo” e manter confidenciais ao menos 180 documentos. Entre os materiais divulgados está o contrato entre Vorcaro e Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes.
Fachin fixou prazo de 24 horas para Mendonça liberar o restante do material. A decisão ocorreu após pedido da Procuradoria-Geral da República. Cristiano Zanin também pediu acesso ao conteúdo bruto do celular de Vorcaro, mas teve a solicitação rejeitada e voltou a apresentá-la.
O plenário do STF marcou para terça (15) o julgamento sobre as conversas entre Moraes e Vorcaro. Gilmar Mendes pediu que Fachin assuma a investigação contra Mendonça e sugeriu o adiamento da análise.
Os documentos também apontam que Vorcaro pagou viagens e jantares internacionais para servidores do Banco Central. A PF afirma ainda que ele recebeu informações antecipadas sobre a operação que levou à sua prisão, em 17 de novembro de 2025, quando tentava embarcar para Malta.



