São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Mercado em tempo real
Política

Sócio de produtora de Dark Horse condiciona dados à Justiça dos EUA

Michael Brian Davis recusou entrega voluntária de documentos sobre despesas do filme e citou exigência de ordem judicial norte-americana.

Sócio de produtora de Dark Horse condiciona dados à Justiça dos EUA

Michael Brian Davis, sócio nos Estados Unidos da Go Up, recusou o pedido da Polícia Federal para entregar voluntariamente documentos sobre despesas da produção de “Dark Horse”. Ele afirmou que a empresa só fornecerá os dados às autoridades brasileiras mediante ordem de um juiz norte-americano.

A recusa envolve documentos societários, contábeis, fiscais, bancários e contratuais. Em e-mail enviado a Karina Gama em 2 de setembro, Davis disse que as solicitações brasileiras sobre informações sob jurisdição dos Estados Unidos deveriam seguir canais diplomáticos e de cooperação jurídica internacional.

“De modo que qualquer produção, exibição ou entrega de documentos ocorra somente mediante ordem emanada de juiz norte-americano”, afirmou Davis. Ele também pediu que nenhum documento da empresa fosse compartilhado antes da validação dos requisitos pelos advogados da Go Up nos Estados Unidos.

Pedido da Polícia Federal

Documentos liberados nesta sexta-feira (11) pelo ministro André Mendonça, relator do inquérito no STF, mostram que a Polícia Federal pediu em 19 de agosto a Karina Gama a apresentação voluntária de informações sobre o filme.

A corporação solicitou faturas emitidas e recebidas no exterior, contratos com atores estrangeiros — entre eles Jim Caviezel, que interpreta Jair Bolsonaro — e comprovantes e relatórios financeiros. O objetivo era demonstrar a realização dos gastos divulgados publicamente como de aproximadamente R$ 54,2 milhões em território norte-americano.

A defesa de Karina encaminhou ao STF documentos da produção, incluindo comprovantes de parte das despesas, e anexou a recusa de Davis em fornecer os dados da empresa no exterior.

Investigação sobre o financiamento

Desde julho, Flávio Bolsonaro é investigado por ter negociado diretamente com Daniel Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões, hoje aproximadamente R$ 122,7 milhões, para a produção do longa baseado na biografia de Jair Bolsonaro, que está preso por tentativa de golpe.

Documentos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República apontam Flávio como interlocutor direto de Vorcaro nas negociações. O material indica ainda que Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, administrava o dinheiro levantado para o filme.

A Polícia Federal apura a arrecadação para a produção e suspeita que parte dos recursos tenha financiado despesas de Eduardo nos Estados Unidos. Flávio já havia prometido divulgar uma prestação de contas, mas passou a atribuir à Go Up a divulgação do balanço.

Após a liberação de parte dos documentos, o senador pediu o fim da confidencialidade sobre o material. “Para mim, a melhor coisa que pode acontecer é a transparência total sobre esse assunto”, disse, afirmando que os dados confirmariam sua versão de que não há irregularidades relacionadas ao filme.

Dos pelo menos US$ 24 milhões negociados para a produção, foram pagos efetivamente pelo menos US$ 12,3 milhões, hoje cerca de R$ 62,9 milhões, conforme documentos da investigação.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.