BRASÍLIA — O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, transformou a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) em tema central de sua campanha, enquanto evita abordar sua relação com Daniel Vorcaro, do Banco Master, e controvérsias ligadas ao governo de Jair Bolsonaro.
O conflito entre ministros do STF, após a divulgação de mensagens entre Alexandre de Moraes e Vorcaro, levou Flávio a seu melhor momento eleitoral, com empate com Lula. A crise veio a pouco mais de um mês do primeiro turno.
Para buscar eleitores indecisos de centro, o senador passou a defender a democracia, o Supremo e a independência da Polícia Federal. Ao mesmo tempo, critica ministros como Moraes e Flávio Dino e associa os dois a Lula em discursos, comícios, entrevistas e propagandas.
Na live semanal de quinta-feira (17), Flávio questionou a indefinição do STF sobre uma investigação contra Moraes e citou o contrato de R$ 130 milhões da advogada Viviane Barci, mulher do ministro, para a defesa de Vorcaro.
Relação com o Banco Master
Mensagens entre Vorcaro e Flávio mostram proximidade. O senador chamou o ex-banqueiro de irmão, disse que não havia “meia conversa” entre os dois e afirmou ter visitado Vorcaro em dezembro, depois da primeira prisão dele e quando os esquemas de fraude financeira já eram conhecidos.
Flávio também é formalmente investigado em um inquérito do STF que apura possível lavagem de dinheiro e corrupção no financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a vida de Bolsonaro. Vorcaro teria prometido cerca de R$ 130 milhões para a produção, dos quais aproximadamente R$ 60 milhões teriam sido pagos.
Aliados do senador afirmam que não há equivalência entre o financiamento do filme e as suspeitas envolvendo ministros do STF. Para eles, Flávio não pediu vantagens pessoais, mas recursos para um negócio privado.
Democracia e Polícia Federal
Flávio atribui ao STF e ao governo Lula o risco de uma ditadura. Em um comício em Boa Vista (RR), no último dia 11, disse que o Supremo deu superpoderes a Moraes e afirmou ser o último obstáculo para o país virar uma ditadura. No ato bolsonarista do 7 de Setembro, em São Paulo, declarou que acabaria com a ditadura de Moraes e chamou Lula e o ministro de consórcio.
A retórica se aproxima da adotada por Bolsonaro, condenado em setembro de 2025 a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. O STF considerou que ele liderou uma trama para permanecer no poder e impedir a posse de Lula em 2023.
Flávio também critica a Polícia Federal, que acusa de perseguir adversários de Lula, e recusou a escolta oferecida pela corporação aos candidatos à Presidência. Em 2020, Bolsonaro havia afirmado que pretendia interferir na PF. Dois dias depois, exonerou o diretor-geral da instituição, episódio que levou Sergio Moro a deixar o governo.
O senador apoiou o afastamento de Andrei Rodrigues decidido por André Mendonça, mas critica a suspensão da nomeação de Alexandre Ramagem para comandar a PF durante o governo Bolsonaro. Aliados dizem que os casos são diferentes e defendem que Flávio mantém compromisso com a independência dos três Poderes, embora considere uma farsa o julgamento de Bolsonaro por golpismo.




