SÃO PAULO — A criação de um código de ética específico para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tem o apoio de 45% dos eleitores, segundo levantamento do Datafolha. Outros 33% são contrários à proposta, 5% não são a favor nem contra e 17% não souberam responder.
A ideia prevê regras para conflitos de interesse, normas de conduta, transparência e consenso no colegiado. A elaboração do código é uma das bandeiras de Edson Fachin na presidência do tribunal. Em fevereiro, ele anunciou Cármen Lúcia como relatora da proposta, que enfrentou resistência interna.
Condutas consideradas inaceitáveis
Entre seis situações apresentadas aos entrevistados, a mais rejeitada foi um ministro julgar processo de uma pessoa cujo advogado seja seu parente: 88% consideram a prática inaceitável. Para 85%, também é inaceitável aceitar convites para eventos pagos por empresas com ações no tribunal.
Tomar decisões que beneficiem ou prejudiquem candidatos a presidente durante o período eleitoral é reprovado por 82%. As condutas com menor rejeição, embora ainda tenham oposição majoritária, são ser sócio de empresa privada durante o cargo e receber pagamentos por palestras de empresas privadas, ambas com 78%. Dar entrevistas ou opiniões públicas sobre processos em julgamento é considerado inaceitável por 71%.
Avaliação do tribunal
A parcela que classifica como ruim ou péssimo o trabalho dos ministros chegou a 47%, ante 40% em maio. É o maior nível da série histórica iniciada em 2019. A avaliação positiva ficou em 18%, mesmo patamar de dezembro de 2019. Outros 31% consideram o desempenho regular, e 4% não opinaram.
Entre eleitores de Lula, 32% avaliam o trabalho dos ministros como ótimo ou bom, contra 6% entre os eleitores de Flávio Bolsonaro. Na avaliação negativa, 69% dos eleitores de Flávio consideram o desempenho ruim ou péssimo, ante 24% dos eleitores de Lula.
O levantamento foi feito de terça (22) a quinta (24), com 2.002 eleitores abordados pessoalmente em pontos de fluxo populacional. A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Os dados estão no sistema do TSE, sob o registro BR-00304/2026.
Suspeitas sobre o caso Master
O Datafolha também perguntou sobre suspeitas que ligam ministros do STF ao caso Master. Entre os entrevistados, 77% disseram estar informados sobre o assunto, enquanto 23% responderam que não. Entre os que tinham conhecimento, 68% acreditam que houve envolvimento de ministros, 2% disseram que não e 7% não souberam responder.
O caso envolve menções ao resort Tayayá e a Dias Toffoli, além de um contrato da esposa de Alexandre de Moraes com o Banco Master. Relatórios da Polícia Federal e do CNJ também citam Kassio Nunes Marques em articulações que poderiam beneficiar Daniel Vorcaro. André Mendonça aparece em mensagens do banqueiro e afirmou que se reuniu com Vorcaro em audiência formal, no gabinete.
Para 33% dos brasileiros, a atuação dos ministros mais prejudica do que beneficia a candidatura de Flávio Bolsonaro. Outros 23% disseram que Lula é mais prejudicado do que beneficiado pelo STF.



