São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Mercado em tempo real
Política

Lula vai à Assembleia-Geral da ONU sob pressão na relação com os EUA

Presidente discursa na terça-feira (22), antes de uma eleição marcada para 4 de outubro e com possível encontro com Donald Trump.

Lula vai à Assembleia-Geral da ONU sob pressão na relação com os EUA
Foto: reprodução de vídeo

O presidente Lula desembarca neste domingo (20) em Nova York para participar da Assembleia-Geral da ONU, em uma viagem curta aos Estados Unidos. A passagem ocorre em meio à pressão na relação entre Brasília e Washington e a poucas semanas das eleições brasileiras, marcadas para 4 de outubro.

Lula fará na terça-feira (22) o discurso de abertura das falas de chefes de Estado. A agenda reúne representantes dos 193 países-membros das Nações Unidas. Donald Trump, presidente do país anfitrião, falará na sequência, o que pode criar uma oportunidade de encontro entre os dois nos bastidores. Não há reunião formal prevista.

Os presidentes se encontraram pela primeira vez no ano passado em um intervalo semelhante. Na ocasião, conversaram por cerca de 40 segundos antes do discurso do americano. O contato, em setembro de 2025, foi seguido pela retomada do diálogo entre os governos após meses de atritos, com conversas sobre o tarifaço imposto a produtos do Brasil, sanções financeiras e restrições de vistos.

Agora, integrantes do governo brasileiro manifestam preocupação com possível interferência externa no processo eleitoral. A expectativa é que Lula defenda na ONU a não intervenção nos assuntos internos dos países e a autonomia das decisões políticas, judiciais e eleitorais brasileiras. A orientação é fazer a defesa em termos amplos, sem citar nominalmente o governo americano.

O discurso deve durar em torno de 20 minutos e também abordar combate ao crime organizado, emergência climática e fome. Em agosto, Lula havia afirmado que o Brasil queria manter uma relação de cooperação com Washington, mas não aceitava interferência em assuntos internos.

Na segunda-feira (21), Lula se reúne com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, a convite do prefeito. Auxiliares negam que o encontro possa enviar um sinal ruim a Trump.

Outros pontos de tensão

As divergências entre Brasil e Estados Unidos incluem disputas comerciais, diferenças sobre o combate ao crime organizado e a classificação de facções brasileiras. Também houve a revogação do visto da embaixadora em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em meio à demora do governo brasileiro para conceder o agrément ao indicado para a embaixada americana em Brasília.

A viagem ocorre ainda após a desistência, no sábado (19), da chilena Michelle Bachelet, candidata patrocinada pelo Brasil ao cargo de secretário-geral da ONU. António Guterres deixará a função após dez anos. Bachelet teve mau desempenho nas votações secretas do Conselho de Segurança e foi vetada por ao menos um dos cinco membros permanentes da organização.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.