O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defenderá a soberania e a não interferência externa em assuntos internos dos países no discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, na terça-feira (22/09).
A preocupação central do governo é uma possível atuação dos Estados Unidos em favor da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL). A administração norte-americana considera o senador um forte aliado. O cenário é acompanhado em meio à crise no Supremo Tribunal Federal e à proximidade entre os dois candidatos nas pesquisas de intenção de voto.
A viagem de Lula a Nova York será rápida e terá uma comitiva menor que as anteriores. O presidente falará aos 193 países-membros e aos dois Estados observadores. Este poderá ser seu décimo e último discurso de abertura caso seja derrotado na eleição de outubro. Por tradição, o Brasil inicia os trabalhos da Semana de Alto Nível da Assembleia Geral.
Relação com os Estados Unidos
Lula pode cruzar com Donald Trump no acesso ao plenário, já que o presidente norte-americano discursará em seguida. Não há previsão de reunião bilateral, embora a possibilidade não esteja descartada. No ano passado, os dois tiveram uma conversa de 39 segundos, descrita posteriormente como uma “boa química”.
O governo brasileiro também teme novas tentativas de interferência no processo eleitoral. No Palácio do Planalto, ainda não está definido quando ou como isso poderia ocorrer. A avaliação é que aliados de Trump ligados ao secretário de Estado, Marco Rubio, considerem alguma iniciativa entre o primeiro e o segundo turnos.
Outro receio é a disseminação de informações falsas com amplificação por algoritmos e instrumentalização das big techs. O governo avalia que qualquer movimento pode influenciar o resultado, diante da aproximação entre Lula e Flávio Bolsonaro nas pesquisas.
O julgamento no STF recoloca em debate a atuação do Judiciário. Em julho do ano passado, Trump impôs tarifa de 50% sobre exportações brasileiras e aplicou sanções financeiras ao ministro Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky. As medidas foram retiradas meses depois. Em julho deste ano, Washington reeditou o decreto, mantendo a possibilidade de novas sanções contra Moraes e outros ministros do STF.
Lula chegará a Nova York na noite de domingo (20). A comitiva terá Mauro Vieira, Esther Dweck, Luiz Eloy Terena e Rachel Barros de Oliveira. Também está em análise uma conversa com o prefeito Zohran Mamdani, opositor de Donald Trump.



