SÃO PAULO — Mensagens e documentos analisados pela Polícia Federal apontam uma sequência de encontros entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além de um contrato entre o banco e o escritório de Viviane Barci de Moraes. Os registros também mostram pedidos de ajuda feitos antes da prisão do ex-banqueiro.
Moraes nega irregularidades, afirma que nunca julgou processos relacionados ao Master ou a Vorcaro e chama o relatório de “farsa”. O escritório de Viviane diz que executou os serviços contratados. As mensagens registram combinações de agendas e relatos de encontros, mas não permitem confirmar de forma independente todos os episódios.
Em 27 de dezembro de 2023, Fábio Faria citou a Vorcaro um almoço com “Alex” marcado para o dia 30. O banqueiro orientou uma funcionária a preparar uma recepção para nove convidados e quatro seguranças no hotel Six Senses Botanique, em Campos do Jordão.
Em 11 e 15 de janeiro de 2024, o usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” fez a última edição de duas versões da minuta do contrato entre o Master e o escritório. A alteração mais recente ocorreu às 23h04 do dia 15. A banca afirmou que consultou Moraes, como marido da sócia-diretora, para avaliar impedimentos legais e não encontrou restrições.
O contrato foi assinado em 23 de janeiro de 2024, com pagamentos previstos por três anos e valor total de cerca de R$ 131 milhões. Segundo o escritório, os serviços foram prestados de fevereiro de 2024 a novembro de 2025. Dados da Receita apontam pagamentos de R$ 80,2 milhões.
As mensagens ainda indicam um jantar na casa de Faria em 2 de fevereiro de 2024. Em 17 de julho, ele escreveu a Vorcaro: “Careca 19:30”. Em 5 de novembro, Vorcaro avisou à filha que estava com Moraes. Em 26 de fevereiro de 2025, um motorista informou a chegada do ministro.
Em 19 de março, Vorcaro disse a Martha Graeff e a Paulo Sérgio Neves de Souza que estava com Moraes. Ao ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, afirmou que o ministro “vai chamar o Paulo para dar um aperto”. Em abril, relatou que encontraria Moraes “perto de casa”; as mensagens sugerem que os dois estavam em Campos do Jordão.
A partir de maio de 2025, apareceram minutas de uma nova contratação, no valor de R$ 50 milhões. O desenho previa que R$ 40 milhões fossem pagos por meio de cotas de um jatinho e de um helicóptero, enquanto R$ 10 milhões seriam destinados a custos de voos. O escritório declarou que recusou a proposta e que o segundo contrato não foi assinado.
Em 22 de agosto de 2025, Moraes e Viviane foram filmados ao desembarcar de uma aeronave ligada a Vorcaro. Em abril de 2026, o ministro havia negado viagens em aviões do ex-banqueiro. O escritório afirmou que contrata táxi aéreo, inclusive da Prime Aviation, e que Moraes acompanhou a mulher em alguns voos. Também negou que Vorcaro tenha participado dessas viagens ou que tenha adquirido cotas da empresa.
Dois dias antes da prisão, em 15 de novembro de 2025, Vorcaro perguntou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. A PF o apontou como interlocutor de Moraes. No dia seguinte, o banqueiro disse que estava em voo e que encontraria o ministro após pousar.
Em 17 de novembro de 2025, às 17h26, Vorcaro escreveu: “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. Horas depois, foi preso no Aeroporto de Guarulhos, enquanto se preparava para viajar a Malta em um jato particular. A extração recuperou mensagens enviadas pelo banqueiro, mas não eventuais respostas de Moraes. A comunicação teria usado imagens de visualização única geradas a partir de textos no aplicativo de notas do celular.



