Jorginho Mello foi reeleito governador de Santa Catarina no 1º turno, com 2,9 milhões de votos, a maior vitória nessa etapa e a segunda maior votação nominal da história do estado. O resultado consolidou a força política construída desde a eleição apertada para o Senado, em 2018.
Há oito anos, Jorginho conquistou uma das duas vagas ao Senado por uma diferença de 18 mil votos, ou 0,28%, deixando Lucas Esmeraldino fora da disputa. A vitória o projetou no cenário nacional e abriu espaço para uma aproximação ainda maior com Jair Bolsonaro e sua família.
Aproximação com Bolsonaro
Jorginho era filiado ao PL desde 2013 e mantinha proximidade com Valdemar Costa Neto, presidente da legenda e principal articulador do partido em Santa Catarina. Durante o governo Bolsonaro, tornou-se vice-líder no Senado e atuou na defesa do então presidente na CPI da Pandemia.
Em um dos episódios citados como emblemáticos, discutiu com Renan Calheiros e o chamou de “picareta”. Também recebeu o reconhecimento de Bolsonaro por uma proposta de apoio a empreendedores durante a pandemia. O ex-presidente passou a chamá-lo de “pai do Pronampe”.
Em 2022, Jorginho disputou o governo estadual com o apoio de Bolsonaro e do número 22. Em chapa pura, venceu Décio Lima no 2º turno, depois de enfrentar candidaturas de diferentes grupos, entre elas as de Carlos Moisés, Esperidião Amin e Gean Loureiro. Na mesma eleição, o PL elegeu seis deputados federais, 11 estaduais e o senador da vez pelo partido.
Expansão da base
Já no governo, Jorginho atraiu prefeitos de diferentes regiões, incluindo Topázio Neto e Adriano Silva. Projetos como o Estrada Boa e o Universidade Gratuita foram apresentados como bandeiras da gestão, que manteve aprovação em patamares altos mesmo após declarações polêmicas e a aprovação de uma lei que extinguia cotas raciais em universidades.
Na eleição deste domingo, o governador também elegeu os dois senadores pelo PL: Carol de Toni e Carlos Bolsonaro. Carlos mudou o domicílio eleitoral para Santa Catarina há apenas um ano e concorreu no estado por pedido direto de Jair Bolsonaro. O partido ainda elegeu sete deputados federais e 16 estaduais, sem contar os aliados.
Com a reeleição, os três senadores do PL e a maioria das bancadas da Câmara e da Assembleia Legislativa, Jorginho amplia sua margem para governar nos próximos quatro anos. Ele também declarou esperar a vitória de Flávio Bolsonaro no 2º turno, o que, em sua avaliação, garantiria uma abertura “de cima a baixo”.
Independentemente do resultado presidencial, Jorginho deixa a eleição como principal vencedor político em Santa Catarina, com uma rede de aliados comparada à construída por Luiz Henrique da Silveira. Em oito anos, passou de senador eleito por margem estreita a governador reeleito e padrinho político dos três senadores e de deputados entre os mais votados, incluindo Carlos Bolsonaro e Carol de Toni.



