BRASÍLIA — Flávio Bolsonaro (PL) recebeu sinais de apoio de nomes da direita e do centrão após liderar o primeiro turno, realizado no domingo (4). O candidato terminou a etapa com 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula (PT).
Romeu Zema (Novo) já declarou apoio a Flávio. Ronaldo Caiado (PSD) deve aderir à candidatura em encontro marcado para esta terça-feira (6), em Goiânia, embora o partido tenha declarado neutralidade. O ex-presidente Michel Temer (MDB) também divulgou vídeo em apoio ao candidato do PL.
Em Brasília, Flávio se reuniu com Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador reeleito de São Paulo. Os dois devem viajar pelo Brasil. Tarcísio afirmou que pretende ajudar a organizar eventos e a estruturar o estado para receber o candidato no maior colégio eleitoral do Brasil.
A federação formada por União Brasil e PP reúne nesta terça-feira (6), em Brasília, deputados e senadores eleitos. As siglas sinalizaram apoio nacional a Flávio, mas admitem que diretórios estaduais mantenham associação com Lula. O presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI), defendeu “apoio total e irrestrito” ao candidato do PL.
A campanha também busca consolidar o apoio do Republicanos, presidido por Marcos Pereira (SP). O coordenador-geral da campanha, Rogério Marinho (PL-RN), disse que pretende reunir partidos e candidatos que não apoiaram Flávio no primeiro turno. Governadores eleitos pelo PL devem viajar a Brasília para encontros com o presidenciável, enquanto parlamentares eleitos continuarão em campanha.
Lula mira abstenções e aumenta críticas
Lula reuniu aliados nesta segunda-feira (5), em um hotel próximo à Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para avaliar problemas do primeiro turno e reorganizar a campanha. O presidente quer atrair eleitores que não votaram e elevar a rejeição a Flávio.
A abstenção foi recorde, de mais de 33 milhões. Durante a reunião, Lula afirmou que era necessário trabalhar para alcançar os 30 milhões de pessoas que não foram votar e questionou as razões da ausência.
O presidente também elevou as críticas ao Supremo Tribunal Federal. Lula disse que a campanha carrega a “promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois dessas denúncias”. A corte, conforme a avaliação apresentada na reunião, está com a imagem desgastada pelo escândalo do Banco Master.
Entre os participantes estavam os governadores reeleitos Jerênimo Rodrigues (PT-BA) e Rafael Fonteles (PT-PI), os senadores eleitos Rui Costa (PT-BA) e Jaques Wagner (PT-BA), além dos candidatos derrotados Fernando Haddad (PT-SP), Simone Tebet (PSB-SP) e Marina Silva (Rede-SP).
Aliados cobram mudanças no marketing e na coordenação política. Raul Rabelo e Sidônio Palmeira (Secom) estão entre os principais alvos das críticas, enquanto Edinho Silva, presidente do PT e coordenador da campanha, é pressionado a unificar a equipe.
Petistas também defendem maior espaço para articuladores bem-sucedidos nos estados, como Camilo Santana. Outro ponto criticado foi a tentativa de lançar Rodrigo Pacheco ao governo de Minas Gerais. Após o fracasso da iniciativa, Lula apoiou Patrus Ananias (PT), derrotado no primeiro turno.
Aliados ainda apontam a proibição das apostas online como possível fator de prejuízo à votação de Lula. A medida provocou reação de clubes de futebol, influenciadores digitais e empresas de mídia.



