O ex-presidente da Bolívia Evo Morales apresentou nesta quinta-feira (10/09) um requerimento à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para pedir proteção contra ameaças que atribui a figuras ligadas ao atual presidente boliviano, Rodrigo Paz.
Morales, que governou o país de 2006-2019, afirma que sofre perseguição desde o começo deste ano. Segundo ele, as ameaças se intensificaram nas últimas semanas. A petição inclui áudios e outras provas sobre os episódios.
Na solicitação, o ex-presidente descreve o caso como “uma estratégia de Estado” voltada a colocar sua vida e sua segurança em risco. Ele também afirma que a iniciativa faria parte de um acordo entre Paz e o consultor político argentino Fernando Cerimedo.
Cerimedo foi preso em agosto por tentativa de feminicídio contra a ex-companheira, a advogada Nadia Beller. Morales sustenta que o suposto acordo teria como objetivos prendê-lo e manipular provas para tentar responsabilizá-lo pelo ataque contra Beller, que já trabalhou como advogada em casos contra o ex-presidente. Com isso, segundo Morales, Cerimedo poderia ser livrado da denúncia pela qual está em prisão preventiva.
Análise do pedido
A CIDH deve encaminhar a solicitação à Corte Interamericana de Direitos Humanos, responsável por avaliar se a situação se enquadra nos casos de gravidade e urgência que permitem medidas de proteção para evitar danos irreparáveis. Não há prazo para uma decisão.
O documento tem o respaldo do ex-juiz argentino Raúl Zaffaroni, integrante da Corte Interamericana entre 2016 e 2021, e do jurista argentino Raúl Gustavo Ferreyra, especialista em direito constitucional. Ferreyra afirma que, “dadas as circunstâncias, a vítima (Evo Morales) não pode recorrer a nenhuma força estatal para proteção”.




