O Comitê Permanente para a Defesa dos Direitos Humanos (CDH), ONG sediada em Guayaquil, denunciou irregularidades em operações militares e processos judiciais contra pescadores da província de Manabí, no Equador. Segundo a entidade, os casos incluem detenções arbitrárias, incomunicabilidade, tortura, desaparecimentos temporários e destruição de embarcações com explosivos.
O advogado Fernando Bastias, defensor do CDH, afirmou que pescadores detidos durante o trabalho em alto-mar estão sendo levados para as Ilhas Galápagos. Para ele, a medida pode dificultar denúncias de familiares e de outras partes contra ações da Marinha equatoriana e das forças dos Estados Unidos.
Pescadores e embarcações afetados
Queixas reunidas pelo CDH, por famílias e por organizações da sociedade civil apontam que pelo menos 143 pescadores foram afetados e nove embarcações foram atacadas, destruídas ou afundadas em operações militares americanas no Pacífico.
O CDH apresentou um pedido de habeas corpus para o Conquista 2, interceptado em 2 de setembro, e pediu medidas para localizar os oito pescadores do Fiorella. A embarcação foi atacada em 1º de janeiro de 2026, e os oito tripulantes continuam desaparecidos.
Também foram citados os ataques contra Negra Francisca Duarte II, em 17 de março, com 16 pescadores afetados; Don Maca, em 18 de março, com 20 pescadores; Los tres Hermanos, em 28 de agosto, com 14 pescadores; Conquista 2, em 2 de setembro, com 15; OM2, em 3 de setembro, com 22 pescadores; e María Candelaria, em 5 de setembro, com 26 tripulantes.
Leonardo Alonso, presidente da Associação de Pescadores de Santa Marianita, disse que os trabalhadores estão com medo de sair para o mar. Eduardo Jurado Santana, presidente do Conselho Cívico da paróquia de Los Esteros, denunciou violação de direitos constitucionais e inação do Governo Nacional.
Contestação às justificativas militares
Bastias questionou processos baseados em mensagens do Comando Sul no X e afirmou que as autoridades prendem antes de investigar. Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, disse, durante visita ao Equador na quarta-feira (09/09), que as operações têm como alvo traficantes de drogas e a pesca ilegal.
John Reimberg, ministro do Interior do Equador, afirmou que os ataques contra embarcações ligadas ao narcotráfico continuarão. O Comando Sul também relatou operações no Caribe e no Pacífico Oriental, mas Estados Unidos e Equador não divulgaram provas que liguem os barcos destruídos ao tráfico de drogas.
Um relatório de especialistas da ONU afirmou que, desde 2 de setembro de 2025, forças americanas atacaram 68 embarcações no Caribe e no Pacífico, matando pelo menos 223 pessoas. Os especialistas rejeitaram o argumento de legítima defesa previsto no Artigo 51 da Carta da ONU e pediram investigações independentes, responsabilização dos comandantes e indenização às famílias.




