O depoimento de Daniel Vorcaro à Polícia Federal foi remarcado para 24 de setembro, após pedido da defesa. A oitiva estava prevista para esta terça-feira (15) e faz parte das investigações sobre supostas fraudes em operações financeiras e créditos repassados ao Banco de Brasília (BRB).
A defesa afirma que precisa ter acesso integral aos documentos, autos, apensos, mídias e laudos do caso antes de o empresário ser ouvido. Segundo os advogados, embora tenham obtido acesso a parte do material, não é possível confirmar se todos os arquivos foram disponibilizados ou se o conteúdo está limitado ao que a autoridade policial considerou necessário e pertinente.
“Sem saber o que existe, a defesa não tem como saber o que lhe falta”, afirma o pedido apresentado pelos advogados.
Sessão do STF
A data inicial do depoimento coincidia com uma sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF). O plenário analisará um relatório da Polícia Federal que identificou 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Os ministros decidirão se autorizam a abertura de investigação formal sobre os fatos. O acesso presencial à sessão será restrito ao Plenário. Jornalistas credenciados acompanharão os trabalhos a partir de uma estrutura instalada na marquise do STF, com telões, cadeiras e mesas.
Operações entre Master e BRB
O depoimento ocorre enquanto relatórios periciais detalham as relações comerciais entre o Banco Master e o BRB. Em laudo tornado público pelo ministro André Mendonça, relator dos principais inquéritos do caso no STF, a Polícia Federal apontou indícios de irregularidades na cessão de R$ 7,15 bilhões em carteiras de crédito da Tirreno Consultoria Promotoria de Créditos e Participações para o Banco Master entre 2024 e 2025.
A investigação apontou que a Tirreno não tinha capacidade operacional compatível com os volumes registrados e apresentou repetição atípica de valores e contratos. Também não foram encontradas evidências de pagamento efetivo do Banco Master pelas cessões. A única conta bancária da empresa no sistema financeiro foi aberta em maio de 2025, após as operações, sem movimentação registrada.
Posteriormente, os direitos creditórios foram transferidos ao BRB, instituição pública do Distrito Federal.



