Um grupo de 98 empresários, tributaristas, advogados, economistas e políticos enviou aos candidatos à Presidência nas eleições de 2026 uma carta em defesa da continuidade da implementação da reforma tributária do consumo.
O documento afirma que a interrupção das mudanças criaria insegurança para empresas, União, estados e municípios que já investem recursos e adotam medidas para se adaptar ao novo regime. Os signatários também dizem que divergências sobre características do modelo não justificam a reabertura da discussão nem a suspensão da reforma.
A carta reconhece a existência de custos de transição, mas sustenta que os efeitos de longo prazo serão positivos. O grupo defende que eventuais aperfeiçoamentos sejam debatidos durante a implementação e classifica a reforma aprovada como um avanço institucional capaz de corrigir distorções que afetam a produtividade, a competitividade e o potencial de crescimento do país.
Pressão de candidatos
O documento começou a ser elaborado depois que candidatos passaram a defender a revogação da reforma, o adiamento de prazos ou mudanças no texto. A carta não cita nomes, mas Flávio Bolsonaro foi um dos primeiros a defender a suspensão, em maio, quando ainda era pré-candidato. Daniella Marques, assessora econômica de sua campanha, também defendeu pausar o avanço da reforma para reestruturar o texto.
Augusto Cury defendeu a revisão de pontos da reforma. Ronaldo Caiado afirmou que ela deveria ser profundamente modificada e revisada caso fosse eleito. Já Romeu Zema defendeu, em seu plano de governo, que não fossem criadas complexidades no texto, sem indicar uma reversão da reforma em curso.
Para os signatários, a reforma é uma conquista do Estado brasileiro, e não de um governo ou partido específico. Entre os nomes estão Jorge Gerdau Johannpeter, Horácio Lafer Piva, José Ricardo Roriz Coelho, Pedro Passos, Pedro Wongtschowski, Arminio Fraga, Ana Paula Vescovi, Fábio Giambiagi, Maílson da Nóbrega, Martus Tavares, Nelson Machado, Rodrigo Maia, Bernard Appy e Vanessa Rahal Canado.
Isaías Coelho, um dos organizadores, disse que há ruídos e informações falsas no debate sobre a reforma. Segundo ele, todos os presidenciáveis concordaram em examinar o assunto. Coelho também afirmou que o saldo da reforma é positivo e citou a substituição de PIS, Cofins e ICMS pelo novo modelo.



