São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Redes sociais e crise do STF tornam eleição de 2026 mais complexa, diz professor

Arthur Murta afirma que campanhas por cortes, endividamento e baixa margem de indecisos dificultam a mudança de voto.

Redes sociais e crise do STF tornam eleição de 2026 mais complexa, diz professor

A campanha eleitoral brasileira de 2026 será marcada pela circulação de cortes nas redes sociais, pelo uso de inteligência artificial e pela crise de legitimidade do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo Arthur Murta, professor de Relações Internacionais da PUC São Paulo.

Para Murta, a forma de acompanhar as eleições mudou e reduziu o contato dos eleitores com o contexto mais amplo das campanhas. “A comunicação mudou radicalmente”, afirmou. Na avaliação do professor, a população passou a acompanhar principalmente trechos de vídeos e matérias, sem o mesmo envolvimento prolongado de outros períodos.

O início oficial da campanha ocorreu em 16 de agosto, com a liberação de comícios, carreatas e propaganda na internet. A propaganda gratuita no rádio e na TV começou em 28 de agosto. Murta considera que a crise do STF diferencia o pleito desde a redemocratização, quando as eleições diretas foram retomadas a partir de 1989.

Disputa presidencial

O professor afirma que ainda não há um candidato amplamente favorito. No levantamento mais recente da Atlas Intel/Bloomberg, feito na última quinta-feira (17/09), Lula aparece com 44,1% contra 41,7% de Flávio Bolsonaro na primeira rodada. Na segunda, o bolsonarista registra 47,2% contra 46,8%, resultado dentro da margem de erro de um ponto.

Nesse cenário, Murta avalia que uma campanha de mudança de voto é difícil, porque a parcela de indecisos ou independentes é pequena. Segundo ele, esses eleitores estão mais alinhados a Flávio Bolsonaro. Em comparação com 2022, não haveria a mesma percepção de necessidade de mudança associada aos quatro anos anteriores.

Os indicadores econômicos também entram na avaliação do eleitor independente. Murta diz que o país melhorou radicalmente na comparação com quatro anos atrás, mas que a população não percebe essa melhora na própria vida. O endividamento, na visão do professor, ajuda a explicar essa distância entre os dados econômicos e a percepção dos eleitores.

Ele aponta as bets, a sociedade de consumo e as redes sociais como fatores centrais do endividamento. Mesmo assim, afirma que o eleitor tende a atribuir a dificuldade ao governo e pode considerar que uma mudança administrativa melhoraria sua situação.

Eleições para os governos

Murta também identifica uma diferença em relação a 2022: o movimento antibolsonarista estaria menos forte. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes teria condições de disputar o governo sem se associar diretamente a Lula, por contar também com eleitores bolsonaristas.

Em São Paulo, Tarcísio de Freitas, embora alinhado ao bolsonarismo, teria eleitores de Lula e não buscaria uma associação automática da campanha com Flávio Bolsonaro. Para o professor, candidatos aos governos estaduais tentam ocupar um espaço capaz de dialogar com o eleitor independente, em campanhas menos vinculadas a um dos nomes da disputa presidencial.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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