Donald Trump afirmou a Vladimir Putin que o fim da Guerra da Ucrânia poderá reabrir completamente os canais políticos e econômicos entre os Estados Unidos e a Rússia. O relato foi divulgado por Iuri Uchakov, assessor presidencial russo, após uma ligação nesta terça-feira (8).
Na avaliação apresentada por Uchakov, Trump relacionou a retomada dos vínculos entre Washington e Moscou aos benefícios comerciais que poderiam surgir depois do conflito. “Isso [a restauração total da relação EUA-Rússia] terá impacto particular em comércio e laços econômicos, prometendo enormes benefícios aos dois países”, disse o assessor.
Mediação e negociação direta
A conversa ocorreu dois dias depois de os Estados Unidos retomarem o processo de mediação. No fim de semana, Steve Witkoff e Jared Kushner se reuniram primeiro com Putin, em Moscou, e depois com Volodimir Zelenski, na primeira visita dos enviados à Ucrânia desde que Trump voltou ao poder.
Os dois lados classificaram os encontros como positivos, mas ainda não há confirmação de uma negociação direta entre russos e ucranianos. Zelenski disse que isso pode acontecer ainda neste mês. Já Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, declarou acreditar que “a vitória está próxima”.
No telefonema, Trump voltou a defender um encerramento rápido da guerra, que dura quatro anos e meio. Putin apresentou sua avaliação sobre a linha de frente e as hostilidades e reiterou que não planeja atacar integrantes europeus da Otan. O receio de uma ofensiva desse tipo foi associado à viagem de John Ratcliffe, chefe de espionagem dos Estados Unidos, a Moscou na semana retrasada.
Ataques e defesa aérea
A conversa ocorreu após a retomada dos bombardeios russos contra Kiev. Ao menos cinco pessoas morreram, e a Força Aérea informou o uso de “dezenas de mísseis balísticos”. Os militares disseram ter derrubado a maioria dos 142 drones e 31 de 32 mísseis de cruzeiro.
Zelenski recebeu a promessa de até mil mísseis para o sistema Patriot, em prazo indeterminado, de aliados europeus. Reino Unido e Alemanha também se comprometeram a fornecer armamentos.
Ataques de Kiev deixaram ao menos uma pessoa morta em Briansk e outra em Belgorodo. Outros dois civis morreram na Crimeia, anexada por Putin em 2014.



