IRÃ — Uma missão internacional da ONU afirmou haver motivos razoáveis para considerar crimes de guerra os ataques militares dos Estados Unidos contra uma escola infantil em Minab e um complexo esportivo em Lamerd, realizados em 28 de fevereiro. Ao menos 178 civis morreram nas duas ofensivas, em sua maioria mulheres e crianças.
As conclusões foram anunciadas nesta quinta-feira (17/09) e serão apresentadas ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. A investigação examinou o bombardeio contra a escola Shajareh Tayyebeh, em Minab, na província de Hormozgan, e o ataque contra o complexo esportivo e uma área residencial de Lamerd.
Ataques contra alvos civis
No caso de Minab, os investigadores disseram que um míssil de cruzeiro Tomahawk atingiu uma instalação civil claramente identificável. O relatório afirma não haver evidências de uso militar do local e aponta que as Forças dos Estados Unidos não confirmaram informações de inteligência sobre a suposta presença de um alto comandante militar iraniano.
A missão concluiu que o uso de dados desatualizados e a falta de confirmação foram além de negligência. “os EUA direcionaram os ataques ao prédio da escola, estando cientes de um risco substancial de atingir um alvo civil e agindo de forma imprudente em relação à possibilidade de que isso ocorresse”, afirma o relatório.
Em Lamerd, mísseis de precisão lançaram projéteis de tungstênio sobre um complexo esportivo e uma área residencial. O ataque danificou edifícios residenciais e uma escola próxima, matando 22 pessoas. Para a ONU, a operação também foi indiscriminada e configura crime de guerra. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) negou responsabilidade pelo episódio.
Sete meses após os ataques, a administração Trump ainda não havia assumido diretamente a responsabilidade pelo bombardeio da escola nem divulgado as conclusões da investigação do Pentágono.
Repressão no Irã
A missão também avaliou a repressão aos protestos iniciados no país no final de dezembro de 2025. Segundo os investigadores, as autoridades iranianas cometeram crimes contra a humanidade em um ataque generalizado e sistemático contra civis.
Entre as violações apontadas estão assassinatos ilegais, tortura, detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados, perseguição e restrições severas à liberdade de expressão. A aplicação da pena de morte, segundo a investigação, representou uma escalada significativa nos padrões anteriores de repressão à dissidência no país.



