São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Morre Amelinha Teles, ativista contra a ditadura e referência feminista

Jornalista e escritora foi presa e torturada durante o regime militar; velório será realizado nesta quarta-feira, em São Paulo.

Morre Amelinha Teles, ativista contra a ditadura e referência feminista

Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida como Amelinha Teles, morreu nesta terça-feira (15/09). Jornalista, escritora e ativista dos direitos humanos, ela se tornou uma das referências do movimento feminista e da resistência à ditadura militar brasileira.

Nascida em Contagem (MG), Amelinha começou a militância política ainda jovem. Durante o regime, participou da resistência clandestina pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Em 28 de dezembro de 1972, foi detida em São Paulo e passou pelos centros de repressão da Operação Bandeirantes (Oban) e do DOI-Codi. Ali, sofreu tortura física e violência sexual cometidas pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Os filhos da ativista, Edson e Janaína, tinham quatro e cinco anos de idade quando também foram sequestrados e levados ao local para presenciar a tortura dos pais.

Depois da prisão política, Amelinha manteve a atuação em defesa da democracia, da memória de mortos e desaparecidos e dos direitos das mulheres. Em 1984, fundou a União de Mulheres de São Paulo. Durante a Assembleia Nacional Constituinte, participou do “Lobby do Batom”, movimento que contribuiu para a inclusão da igualdade de direitos entre homens e mulheres na Constituição de 1988.

Em 1994, criou o projeto Promotoras Legais Populares (PLPs), voltado à formação jurídica de mulheres comunitárias e posteriormente levado a diversos municípios brasileiros. Também foi assessora da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva” e integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.

Reconhecimento e livros

A família Teles entrou com uma ação declaratória contra Ustra em 2005. Três anos depois, ele foi reconhecido oficialmente pela Justiça como torturador da ditadura. A decisão foi mantida pelas instâncias superiores.

Amelinha publicou obras sobre os direitos das mulheres, entre elas “Breve história do feminismo no Brasil” e “O que é violência contra a mulher”. Em 2024, lançou “Contos da cela três: Memórias de uma presa política na ditadura”, livro de ficção baseado em relatos do período em que esteve presa.

A deputada federal Sâmia Bomfim (Psol-SP) lamentou a morte. “Uma mulher histórica, referência para tantas gerações que lutam pela vida das mulheres e pela democracia”, escreveu.

O velório ocorrerá na quarta-feira (16/09), das 12h às 17h, no Cemitério da Vila Formosa, na zona leste de São Paulo (SP).

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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