SÃO PAULO — A ativista de direitos humanos Maryum Ali afirmou que liberdades constitucionais estão sendo restringidas nos Estados Unidos durante o governo Trump. Ela citou limitações ao direito de protestar, proibição de livros e falta de devido processo legal para imigrantes.
Filha do boxeador Muhammad Ali, Maryum participou do Despertar 2026, promovido pelo Instituto Conhecimento Liberta (ICL), no Vibra São Paulo. O evento reuniu 4 mil pessoas neste sábado (19/09), na capital paulista.
Segundo a ativista, obras de autores negros que tratam da luta contra o racismo e pela justiça social foram retiradas em 18 estados. Ela também disse que protestos em apoio à Palestina e às crianças palestinas podem gerar problemas, apesar da garantia constitucional a manifestações pacíficas.
Maryum afirmou ainda que imigrantes não estão passando pelo devido processo legal nos tribunais. Para ela, as restrições atingem especialmente muçulmanos.
Racismo e linchamentos
Na entrevista, a ativista mencionou dez casos de enforcamento de pessoas negras denunciados no último ano, sem condenações. Ela rejeitou a alegação de que as próprias vítimas negras seriam responsáveis pelas mortes.
Maryum também disse ter dificuldade para acreditar no governo ou em governos controlados pela direita, que tem maioria no Congresso. Segundo ela, há problemas relacionados aos direitos humanos e ao uso do dinheiro dos impostos.
Ao comentar as próximas eleições legislativas, afirmou estar desiludida com o Partido Democrata e defendeu que o dinheiro fique fora da política. Ela disse que bilhões são canalizados para o partido e para partidos tradicionais.
A ativista declarou apoio a candidatos progressistas que rejeitam dinheiro de lobistas, campanhas e bilionários. Citou Zohran Mamdani e afirmou que a população deve avaliar o que os candidatos fazem, além do que dizem.
Legado de Muhammad Ali
Durante a palestra, Maryum relembrou que o pai cresceu em uma cidade segregada e sofreu com o racismo nos Estados Unidos. Mesmo após conquistar a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960, ele não foi atendido em um restaurante reservado a brancos.
“Ele ficou arrasado, percebendo que a medalha não significava nada, a ponto de acabar jogando a medalha no rio”, disse. Depois disso, segundo Maryum, o boxeador passou a buscar suas origens, converteu-se ao Islã e abandonou o nome Cassius Clay.
Sobre Trump, ela afirmou que o pai era contra a opressão e o racismo e que o presidente seria favorável a essas posições. “Aconteceu com ele, está acontecendo comigo”, disse Maryum.




