SANTIAGO — Milhares de pessoas participaram neste domingo (06/09) de uma marcha em Santiago para lembrar os 53 anos do golpe de Estado que derrubou o presidente Salvador Allende em 11 de setembro de 1973. A mobilização ocorreu cinco dias antes da data do aniversário do golpe.
As Forças Armadas bombardearam o Palácio de La Moneda, derrubaram o governo e assassinaram Allende durante o ataque. Depois, o general Augusto Pinochet assumiu a liderança da junta militar que governou o Chile até 1990.
A caminhada reuniu organizações de direitos humanos, sindicatos, grupos estudantis e integrantes da Mesa Nacional de Direitos Humanos. Convocada pelo Partido Comunista (PC), Frente Amplio e entidades de direitos humanos, a marcha terminou no Memorial do Detido Desaparecido e do Executado Político, no Cemitério General. Familiares de vítimas e militantes participaram levando cravos e rosas vermelhas.
Memória e impunidade
A mobilização homenageou mais de 3.200 vítimas fatais e mais de 40 mil pessoas atingidas por violações de direitos humanos durante a ditadura. Os participantes também criticaram políticas do governo do presidente José Kast, em especial por preocupações com cortes no financiamento de instituições voltadas à preservação de lugares de memória e a ações de reparação.
A rejeição a eventuais indultos ou benefícios penitenciários para condenados por crimes contra os direitos humanos esteve entre as principais reivindicações. O senador comunista Daniel Núñez resumiu a posição como “não aos indultos, não à impunidade”. Ele afirmou que a preocupação inclui crimes da ditadura e violações ocorridas durante o estallido social de 2019.
A deputada comunista Nathalie Castillo disse que a marcha representa um compromisso democrático com perseguidos, executados ou desaparecidos durante a ditadura e com as novas gerações. A ex-ministra e ex-candidata presidencial Jeannette Jara defendeu a preservação da memória histórica e afirmou que os direitos humanos devem ser tratados como uma questão de toda a sociedade chilena.
Organizações também cobraram a continuidade das políticas de verdade e justiça. Segundo os participantes, mais de 1.500 pessoas continuam sem que seu paradeiro tenha sido esclarecido.
Detenções
A polícia interveio em pontos do trajeto após cerca de 50 encapuzados montarem barricadas e lançarem bombas molotov, pedras e fogos de artifício contra policiais nas proximidades do Cemitério General.
O balanço preliminar indicou 24 detenções: 60% relacionadas a ordens judiciais vigentes e 40% em flagrante. Os episódios ocorreram paralelamente às homenagens e não impediram as cerimônias no memorial.




