São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Kast não fará cerimônia no Chile pelos 53 anos do golpe contra Allende

Presidente estará em Los Ríos no 11 de setembro, primeira vez que o Executivo chileno não promove ato oficial pela data.

Kast não fará cerimônia no Chile pelos 53 anos do golpe contra Allende

O presidente do Chile, José Antonio Kast, decidiu não realizar uma cerimônia oficial neste 11 de setembro, data que marca os 53 anos do golpe militar que matou o ex-presidente Salvador Allende. O chefe do Executivo passará o dia em atividades governamentais na região de Los Ríos.

A decisão ocorre após pressão da oposição por uma manifestação oficial. É a primeira vez, desde a retomada da democracia chilena em 1990, depois de 17 anos de ditadura de Augusto Pinochet, que o presidente não promove uma cerimônia de recordação do golpe.

Organizações de direitos humanos, sindicatos e grupos estudantis organizaram marchas em Santiago, Antofagasta e outras cidades. No domingo (06/09), uma caminhada rumo ao Cemitério Central de Santiago, onde Allende está enterrado, foi reprimida pelos carabineros.

Memória da ditadura

O Chile já processou mais de 1.500 agentes da ditadura por crimes cometidos durante o regime. Pinochet foi preso na Inglaterra por decisão da Justiça espanhola e, depois de retornar ao Chile, respondeu a processos. Morreu em 2006 sem ser condenado.

Dados oficiais indicam que cerca de 3,2 mil chilenos foram mortos por agentes do Estado e quase 40 mil foram torturados e presos por razões políticas. Organizações de familiares estimam que mortos, desaparecidos, torturados e presos superem 100 mil.

Patricio Aylwin promoveu, no início dos anos 1990, o sepultamento oficial de Allende com honras de Estado. Michelle Bachelet ampliou a cerimônia durante seus mandatos, de 2006 a 2010 e de 2014 a 2018. Sebastián Piñera também realizou atos durante seus governos, de 2010 a 2014 e de 2018 a 2022.

Gabriel Boric, antecessor de Kast, assinou em 2023 o documento Compromisso pela Democracia com outros ex-presidentes. O texto defendia a proteção de princípios democráticos diante de ameaças autoritárias, da intolerância e do desprezo pela opinião alheia.

Relação com o pinochetismo

Antes de assumir o poder, no início de 2025, Kast nomeou Fernando Rabat para o Ministério da Justiça e Direitos Humanos e Fernando Barros para o Ministério da Defesa. Rabat integrou a equipe que defendeu Pinochet em acusações relacionadas ao desaparecimento de 119 opositores na Operação Colombo. Barros foi porta-voz e advogado pessoal do ex-ditador durante sua prisão em Londres, entre 1998 e 2000.

Kast fez campanha pela continuidade de Pinochet no plebiscito de 1988. Seu irmão, Miguel Kast, foi ministro e presidente do Banco Central chileno durante a ditadura. O presidente afirma que seu pai, Michael Kast, foi recrutado à força pelo Exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial e nega que ele tenha sido partidário do nazismo.

Parlamentares do Partido Nacional Libertário apresentaram um projeto para criar um Museu da Verdade em contraposição ao Museu da Memória e dos Direitos Humanos, em Santiago. A proposta é liderada pelo deputado Johannes Kaiser e pretende destacar a atuação de opositores ao governo da Unidade Popular, que governava o Chile antes do golpe de 1973.

O governo também enviou ao Congresso uma megarreforma de segurança que prevê um estado de exceção duradouro sem autorização do Legislativo. A proposta enfrenta resistência de setores do próprio governo.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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