São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Caso da tapioca levou Orlando Silva a deixar o Ministério do Esporte

Compra de R$ 8,30 gerou CPI e acusações contra o ministro; investigações foram arquivadas por falta de provas.

Caso da tapioca levou Orlando Silva a deixar o Ministério do Esporte

A compra de uma tapioca por R$ 8,30 em um cartão corporativo desencadeou uma crise política em torno de Orlando Silva, então ministro do Esporte. O episódio ocorreu em janeiro de 2008, em Brasília, e levou a reportagens, debates no Congresso, investigações e à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Orlando Silva atribuiu a despesa a um equívoco ao retirar o cartão da carteira e informou que já havia devolvido o valor antes da divulgação do caso. Os cartões corporativos só podiam ser usados em viagens oficiais fora da capital federal. Mesmo assim, o ministro acabou pagando R$ 31 mil do próprio bolso, após meses de questionamentos sobre suas despesas.

A CPI criada para investigar o episódio isentou Orlando Silva de culpa. O Ministério Público não abriu investigação por falta de materialidade da denúncia. Rodrigo Maia, então presidente nacional do DEM, havia informado que apresentaria queixa-crime contra o ministro por peculato.

Nova denúncia e saída do governo

Em 2011, já no governo Dilma Rousseff, Orlando Silva foi citado como suposto beneficiário de desvios ligados ao Programa Segundo Tempo. A acusação partiu do ex-policial militar João Dias Ferreira, que afirmou ter entregue dinheiro ao ministro no estacionamento do Ministério do Esporte.

Orlando Silva contestou a denúncia e solicitou investigações ao Ministério Público, à Polícia Federal e à Comissão de Ética do Serviço Público. Segundo o ministro, a acusação era uma retaliação à cobrança de devolução de recursos públicos desviados por uma ONG ligada a João Dias.

Em outubro de 2011, Orlando pediu demissão do Ministério do Esporte. Em junho de 2012, a Comissão de Ética da Presidência arquivou a denúncia por falta de provas. O inquérito criminal também foi arquivado. João Dias reconheceu depois que não tinha provas contra o ministro e, em 2023, foi condenado por calúnia.

O episódio voltou a ser comparado aos gastos com cartões corporativos no governo Bolsonaro. Em 2019, Bolsonaro gastou em média R$ 41 mil por dia, totalizando R$ 14 milhões no ano. O governo manteve R$ 79,5 milhões em despesas sob sigilo, valor equivalente a 9,5 milhões de tapiocas de R$ 8,30.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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