Dezenas de delegações, incluindo a representação brasileira, deixaram o salão da 81ª Assembleia Geral da ONU nesta quinta-feira (24/09), quando o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, começou seu discurso. O protesto também havia ocorrido no ano passado.
Enquanto os opositores vaiavam, apoiadores de Israel cantaram “Am Yisrael Chai”, refrão que significa “A nação de Israel vive”. Após a saída dos delegados, Netanyahu classificou a manifestação como “uma hipocrisia estarrecedora” e ironizou os presentes que permaneceram no local.
Gaza, Cisjordânia e Irã
O discurso ocorreu em meio a críticas internacionais à política de Israel em Gaza e na Cisjordânia ocupada. Netanyahu rejeitou a acusação de genocídio e afirmou que ela era “a maior mentira do século”. Também minimizou a violência de colonos israelenses na Cisjordânia, atribuindo os episódios a um grupo de cerca de 150 jovens.
O grupo israelense de direitos humanos B’Tselem e organizações como a Human Rights Watch afirmam que essa violência é uma ferramenta sistêmica apoiada pelo Estado de Israel.
Desde 7 de outubro de 2023, a ofensiva militar israelense contra a Faixa de Gaza matou pelo menos 73,9 mil palestinos e feriu outros 175 mil, segundo os dados citados. A destruição atingiu 90% da infraestrutura, enquanto o custo de reconstrução é estimado em US$ 70 bilhões.
O Ministério da Saúde do enclave informou que, desde a entrada em vigor do acordo de cessar-fogo em 11 de outubro de 2025, Israel matou 1.402 palestinos e feriu 4.881. No mesmo período, foram recuperados os corpos de 834 palestinos.
Netanyahu também disse que Israel enfrenta uma “guerra em sete frentes”, envolvendo Hamas, Hezbollah, Houthis, Irã e grupos no Iraque, na Síria e na Palestina. Sobre o Irã, afirmou que Israel e os Estados Unidos destruíram capacidades militares e nucleares do país. Teerã nega ter desenvolvido uma arma nuclear, e a AIEA declarou não ter encontrado evidências disso.
Críticas a líderes árabes e a Mamdani
O premiê israelense dirigiu-se ao presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, e afirmou que o povo judeu está nas Colinas de Golã desde os tempos de Moisés. Também atacou o presidente da Turquia, Recep Erdogan, a quem chamou de “tirano”.
Netanyahu respondeu ainda ao prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, que defendeu a prisão do premiê caso ele entrasse nos Estados Unidos e disse que ele não era bem-vindo à cidade. O primeiro-ministro o chamou de antissemita e afirmou que as acusações contra Israel e os judeus têm consequências reais.
O Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de prisão contra Netanyahu em 2024 por acusações de crimes de guerra durante a guerra de Israel contra Gaza.




