São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Projeto econômico de Bolsonaro ampliou desigualdade e enfraqueceu proteção social

A política de austeridade, privatizações e redução de direitos não entregou o crescimento prometido, segundo a análise apresentada.

Vamos privatizar as praias (memórias do governo Bolsonaro)
Foto: Vi Neves/Flickr

A política econômica do governo Bolsonaro, conduzida por Paulo Guedes, combinou austeridade, privatizações e redução de direitos sem entregar o crescimento prometido. Entre 2019 e 2022, o PIB brasileiro avançou, em média, 1,4% ao ano, abaixo dos 2,7% da economia mundial e dos 3,3% dos países em desenvolvimento, segundo o FMI.

A agenda também previa mudanças profundas na Previdência. Bolsonaro e Guedes defendiam substituir o regime público de repartição pela capitalização individual, na qual cada trabalhador dependeria da própria capacidade de poupança e dos rendimentos do mercado financeiro. O Congresso rejeitou essa proposta e aprovou uma reforma menos radical, mas que elevou idades e tempos de contribuição e reduziu benefícios.

Direitos e pandemia

Guedes propôs ainda condicionar direitos como saúde, educação, alimentação, moradia e previdência ao chamado “equilíbrio fiscal intergeracional”. Na pandemia, afirmou que R$ 5 bilhões seriam suficientes para “aniquilar” o vírus e defendeu auxílio de R$ 200 aos trabalhadores informais. O Congresso elevou o benefício para R$ 600, e o Auxílio Emergencial alcançou quase 68 milhões de pessoas.

O governo reduziu e suspendeu o auxílio no fim de 2020, antes da segunda onda. Em março de 2021, quando o país registrava cerca de três mil mortes por dia, milhões de brasileiros estavam sem benefício. O programa voltou em abril, com valor médio menor e alcance mais restrito. Naquele ano, mais de 420 mil pessoas morreram de Covid-19, enquanto a pobreza atingiu 62,5 milhões de brasileiros, ou 29,4% da população.

Privatizações e combustíveis

O BNDES reduziu sua carteira de participações e perdeu capacidade de financiar investimentos de longo prazo. A Petrobras vendeu a BR Distribuidora, refinarias, gasodutos, campos de petróleo e outros ativos. A manutenção da paridade internacional dos combustíveis contribuiu para uma inflação de 10% em 2021. No período, a gasolina subiu 47,5%, o diesel, 46%, e o gás de cozinha, 37%.

A proposta de privatização alcançou também as praias. Em setembro de 2022, Guedes afirmou que o governo poderia vender uma praia a um grupo estrangeiro disposto a pagar US$ 1 bilhão. A declaração resumiu uma visão de patrimônio público como conjunto de ativos disponíveis para compradores.

A avaliação apresentada é que a pandemia agravou a crise, mas não explica as escolhas de enfraquecer direitos, reduzir a proteção social e transformar patrimônio público em oportunidade de negócio. O projeto, já testado no país, é associado a insegurança, desigualdade, fome e dependência, em vez da prosperidade prometida. Uma análise mais detalhada está no livro Brasil em disputa.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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