São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Caso Cerimedo amplia suspeitas sobre redes da direita na América Latina

Assessor de Rodrigo Paz foi preso na Bolívia após ataque contra sua companheira e passou a responder por outros três inquéritos.

Caso Cerimedo amplia suspeitas sobre redes da direita na América Latina

O argentino Fernando Cerimedo, de 45 anos, assessor do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, foi detido em 18 de agosto, em Santa Cruz. A prisão ocorreu um dia depois de sua companheira, a advogada boliviana Nadia Beller, ser baleada por pistoleiros disfarçados de entregadores de comida. Ela sobreviveu a três tiros, afirmou estar grávida e acusou Cerimedo de planejar o ataque.

Cerimedo é investigado por tentativa de feminicídio e teve a prisão decretada por seis meses. Seus advogados negam que existam provas de ligação com o atentado. Um relatório do Ministério Público cita mensagens encontradas no telefone do argentino, incluindo uma que dizia: “Ou a eliminamos já ou estamos ferrados. Você conhece alguém que possa fazer o trabalho?”.

Outras investigações

Após o ataque, Beller acusou Cerimedo de agressão física, cumplicidade com narcotraficantes e participação em supostos atos de corrupção. Em um imóvel dele em La Paz, um promotor encontrou 43.000 dólares em espécie, equivalentes a R$ 219.183. O argentino passou a ser investigado por enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro e foi transferido de Santa Cruz para uma prisão em La Paz.

Também foi aberto um processo por suposta proteção ao narcotráfico. Beller afirmou que Cerimedo teria facilitado a liberação de aviões de pequeno porte apreendidos. A advogada, de 33 anos, disse ter testemunhado suspeitas envolvendo o governo de Paz, a esposa e a família política do presidente, em contratos de combustíveis e seguros públicos.

Paz admitiu que Cerimedo ajudou em sua campanha e no início do governo, mas negou uma relação profissional direta. “Nunca houve uma relação de trabalho direta”, afirmou. Beller divulgou fotos e mensagens que mostram Cerimedo ao lado do presidente e do chanceler boliviano em uma reunião com Marco Rubio, secretário de Estado americano.

Conexões regionais

Cerimedo também participou das campanhas de Jair Bolsonaro, no Brasil; Javier Milei, na Argentina; e Nasry Asfura, em Honduras. No Brasil, foi investigado por suposta participação em uma milícia digital voltada a contestar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022.

Promotores bolivianos encontraram na residência do argentino dispositivos que aparentavam formar uma fazenda de bots. No Chile, ele é alvo de investigação por supostos crimes informáticos ligados à campanha do plebiscito constitucional de 2020. No México, Claudia Sheinbaum chamou o jornal conservador fundado por ele de esquema para difundir notícias falsas. No Peru, Cerimedo esteve na posse de Keiko Fujimori, em julho, mas ela negou vínculo.

Para Marcela Ríos, da IDEA Internacional, o caso evidencia conexões transnacionais entre grupos de extrema direita.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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