São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Caso Ana Lídia segue sem punição 53 anos após crime em Brasília

Menina de sete anos foi sequestrada em 11 de setembro de 1973; investigações envolveram filhos de políticos da ditadura e foram arquivadas.

Caso Ana Lídia segue sem punição 53 anos após crime em Brasília

Ana Lídia Braga tinha sete anos quando foi sequestrada na entrada do Colégio Madre Carmen Sallés, em Brasília, em 11 de setembro de 1973. O corpo foi encontrado no dia seguinte, em um matagal nos arredores da Universidade de Brasília (UnB), com marcas de tortura, violência sexual e estrangulamento. Passados 53 anos, ninguém foi punido pelo crime.

Na tarde do desaparecimento, pouco antes das 14h, a mãe deixou Ana Lídia no colégio para as aulas de reforço. A menina deveria ficar no local até as 16h30, mas um funcionário informou à empregada da família que ela já havia saído acompanhada por um homem alto, magro e de cabelos claros. Testemunhas disseram que Ana Lídia parecia conhecer o homem e o acompanhou sem resistência.

À noite, a família recebeu uma carta anônima com exigência de resgate de 500 mil cruzeiros e prazo até 14 de setembro. Depois, os sequestradores telefonaram e aumentaram a cobrança para dois milhões de cruzeiros. Ana Lídia foi colocada ao telefone, chorando e chamando pela mãe. Esse foi o último contato.

Corpo encontrado e primeiros suspeitos

Por volta das 13h de 12 de setembro de 1973, cerca de 22 horas após o desaparecimento, policiais localizaram o corpo em uma vala rasa. Ana Lídia estava seminua, com hematomas, escoriações, marcas de queimadura de cigarro e os cabelos cortados de forma irregular. Os peritos apontaram tortura, estupro e asfixia como causa da morte.

Ao lado do corpo havia dois preservativos usados e pedaços de papel higiênico com resquício de sêmen. Também foram encontradas impressões digitais no corpo e nas roupas, além de marcas de pneus de motocicletas.

A polícia inicialmente investigou o irmão da vítima, Álvaro Henrique Braga, sob a hipótese de que ele teria planejado o sequestro para pagar dívidas com traficantes. A namorada dele, Gilma Varela de Albuquerque, teria participado como cúmplice. O traficante Raimundo Lacerda Duque, funcionário da mãe de Ana Lídia, também foi indiciado.

Álvaro Henrique e Duque chegaram a ser presos, mas foram absolvidos por falta de provas em 1975. A família negou o envolvimento do irmão, que afirmou ter sido usado como bode expiatório.

Suspeitas ligadas ao regime

Relatos reunidos pela polícia indicaram que Ana Lídia teria sido levada para um sítio em Sobradinho pertencente ao senador Eurico Rezende, vice-líder da bancada da ARENA. A menina teria sido entregue a Eduardo Ribeiro Rezende, filho do senador, e a Alfredo Buzaid Júnior, conhecido como Buzaidinho, filho de Alfredo Buzaid, ministro da Justiça do governo de Emílio Garrastazu Médici e um dos formuladores do AI-5.

Buzaidinho não foi indiciado. Ele depôs por carta precatória em São Paulo, após se recusar a comparecer em Brasília, e negou conhecer os demais suspeitos. Eduardo Ribeiro Rezende também negou as acusações e nunca foi formalmente acusado.

A Polícia Federal proibiu a divulgação do caso em 20 de maio de 1974. O comunicado às redações dizia: “De ordem superior, fica terminantemente proibida a divulgação através dos meios de comunicação social, escrito, falado, televisionado, comentários, transcrição, referências e outras matérias sobre o caso Ana Lídia e Rosana”.

A investigação foi reaberta 13 anos após o assassinato, durante a redemocratização, depois de uma apuração independente conduzida pela jornalista Mônica Teixeira, da Vídeo Abril. A Justiça autorizou a exumação de Buzaid Júnior, mas os peritos primeiro encontraram os restos mortais de Felício Buzaid, avô do suspeito. Em uma segunda tentativa, o corpo entregue ao Instituto Médico Legal estava sem a arcada dentária, o que impediu a identificação.

Testemunhas convocadas para depor morreram depois de intimadas, e o processo foi novamente arquivado por falta de provas. Eduardo Ribeiro Rezende morreu em 1990, e Raimundo Lacerda Duque, em 2005. O caso permanece sem desfecho.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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