Os líderes do BRICS aprovaram no sábado (12/09) uma declaração de 140 pontos que pede ao governo dos Estados Unidos o fim das sanções econômicas, comerciais e financeiras contra Cuba. O documento manifesta preocupação com os efeitos do bloqueio sobre a economia cubana, o fornecimento de energia e a população do país.
Entre 1º de março de 2025 e 28 de fevereiro de 2026, os prejuízos atribuídos à guerra econômica da Casa Branca contra Cuba somaram US$ 8.083.300 (R$ 41,3 milhões), de acordo com os dados apresentados no documento. Os danos acumulados relacionados à aplicação do bloqueio chegaram a US$ 178.700.500.000 (R$ 915,2 bilhões).
No Artigo 27, a declaração afirma que a América Latina e o Caribe são uma zona de paz, baseada no respeito mútuo, na solução pacífica de controvérsias e na não intervenção. As autoridades e representantes das 11 nações que integram o grupo também expressaram “profunda preocupação com a situação em Cuba devido ao endurecimento das medidas de bloqueio unilateral contra o país”.
O BRICS exigiu o cumprimento da Resolução A/RES/80/4 da Assembleia Geral da ONU e o encerramento do bloqueio. O grupo reafirmou compromissos com respeito mútuo, igualdade soberana, solidariedade, democracia, abertura, inclusão e consenso.
Sanções e desenvolvimento
A declaração diz que medidas coercitivas unilaterais prejudicam os direitos ao desenvolvimento, à saúde e à segurança alimentar da população dos países afetados. Segundo o documento, os efeitos atingem de forma desproporcional os pobres e vulneráveis, além de aprofundar a exclusão digital e agravar problemas ambientais.
O texto também afirma que essas medidas contrariam o direito internacional e os princípios da Carta das Nações Unidas, por não serem autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU. O BRICS defendeu ainda a reforma do sistema multilateral, incluindo a ONU e seu Conselho de Segurança, para ampliar a participação dos países em desenvolvimento.
Durante os debates, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, reafirmou o compromisso do país com a cooperação entre as nações do Sul Global. Ele disse que essa colaboração contribui para construir uma ordem econômica internacional mais justa, equitativa e democrática.




