São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Economista vê melhora nos indicadores, mas falha do governo em comunicar resultados

Pedro Faria cita renda, inflação, desemprego e empregos formais, mas aponta endividamento e crédito caro como entraves à percepção de melhora.

Economista vê melhora nos indicadores, mas falha do governo em comunicar resultados

O economista Pedro Faria avalia que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva tem indicadores positivos para apresentar na campanha à reeleição, mas não consegue fazer o eleitor associar esses resultados às políticas públicas. Para ele, a dificuldade de comunicação pesa diante da proximidade das eleições de 2026.

Faria, pesquisador vinculado ao Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), cita o crescimento da renda do trabalho, a inflação sob controle, a queda do desemprego e o avanço dos empregos formais. “Os programas existem, as estatísticas macroeconômicas de crescimento da renda do trabalho são bastante claras”, afirmou.

Na avaliação do economista, o endividamento das famílias, o peso das bets e o custo elevado do crédito bloqueiam a percepção de melhora. Ele também aponta a força de discursos que atribuem ao indivíduo o aumento da renda e ao governo os problemas econômicos.

Uma pesquisa Quaest divulgada em 7 de setembro mostrou que 38% dos entrevistados disseram que a economia piorou em relação ao ano anterior. Outros 28% avaliaram que houve melhora e 31% não perceberam mudança. No mesmo levantamento, Lula e Flávio Bolsonaro registraram 41% das intenções de voto cada um em uma simulação de segundo turno.

Faria considera o discurso econômico da campanha de Lula brando para o cenário atual e defende uma mensagem mais clara sobre um possível próximo mandato. Como exemplo de melhora no poder de compra, ele afirma que um salário mínimo comprava 21,56 kg de picanha em dezembro de 2022 e passou a comprar 29,47 kg após quatro anos de governo Lula.

Crédito, combustíveis e eleição

O economista avalia que as medidas sobre combustíveis tiveram sucesso na contenção dos preços, mas não necessariamente na percepção da população. Segundo ele, o Brasil foi um dos países que menos tiveram aumento de combustível no mundo. Já o endividamento continua em patamar alto, influenciado pelas bets e pelos juros elevados.

Faria também defende que a campanha destaque a disputa em torno do fim da escala 6×1. Na avaliação dele, Lula deveria apresentar a eleição como uma escolha entre a aprovação da medida e sua rejeição, associada à candidatura de Flávio Bolsonaro. O economista afirma que a escala alcança a maioria dos trabalhadores formais e cita a jornada de 44 horas semanais.

Sobre a influência dos Estados Unidos, Faria diz que as tarifas anunciadas por Donald Trump e Marco Rubio têm impacto localizado e não provocaram interferência negativa na aprovação do governo. Para ele, a influência estrangeira pode ocorrer por outras vias, como reuniões da embaixada norte-americana com influenciadores de extrema direita.

O economista afirma ainda que o governo terá de trabalhar na campanha com as medidas adotadas até o primeiro semestre. Ele cita como exemplo negativo políticas do governo Bolsonaro que provocaram, em 2022, um rombo de mais de R$ 10 bilhões na Caixa por meio de empréstimos consignados para beneficiários do Bolsa Família.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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