São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Créditos do IBS e da CBS entram no cálculo de pequenos negócios

Empresas terão de comparar regimes, rever processos e simular efeitos sobre clientes, fornecedores, preços e margens durante a transição tributária.

Créditos do IBS e da CBS entram no cálculo de pequenos negócios

A escolha do regime tributário poderá influenciar a relação de micro e pequenas empresas com seus clientes na transição para o IBS e a CBS. O ponto central é o crédito tributário: no regime de não cumulatividade, o comprador poderá aproveitar o imposto pago na etapa anterior da cadeia.

Para negócios que vendem a outras empresas, fornecedores enquadrados no Simples Nacional poderão gerar créditos menores que os de empresas do regime geral. Isso pode afetar negociações comerciais, especialmente quando o comprador considerar o valor do crédito aproveitável na decisão de compra.

Regime híbrido entra no radar

Anderson Trautman Cardoso, vice-presidente jurídico da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), afirma que o efeito tende a ser maior sobre empresas posicionadas no meio da cadeia produtiva. Para quem vende diretamente ao consumidor final, a geração de crédito para o comprador tem peso menor.

Cardoso estima que uma empresa do regime geral possa gerar crédito correspondente a uma carga entre 26% e 28%. No Simples, o crédito seguirá a faixa de tributação e poderá ser de 2%, 4%, 6% ou 8%.

“Quem é do Simples nesta cadeia tende a perder competitividade”, afirma Cardoso. A alternativa criada durante a tramitação da reforma é o regime híbrido. Nesse formato, a empresa permanece no Simples para a tributação da folha e da renda, mas recolhe IBS e CBS pelo regime regular, permitindo ao cliente aproveitar integralmente os créditos desses tributos.

A migração, porém, não será automaticamente vantajosa. A decisão dependerá do perfil dos clientes, da posição da empresa na cadeia e do peso dos créditos nas relações comerciais. Antes de escolher, o negócio deverá calcular os efeitos financeiros e conversar com os compradores.

Sistemas, contratos e preços

Ariane Arrais, CEO da AuditMajestic e da ValenBella, afirma que empresas com pagamentos de impostos semelhantes hoje podem ter resultados diferentes após a reforma. Setor, margem de lucro, perfil dos clientes e possibilidade de usar créditos estarão entre os fatores de análise.

A adaptação também inclui mudanças na emissão de notas fiscais, revisão de contratos, organização de informações tributárias e reavaliação da formação de preços. Cardoso recomenda observar fornecedores e clientes, já que alterações na carga podem repercutir nos valores finais e nos contratos firmados. Durante a transição, tributos antigos e novos ainda conviverão por determinado período.

Empresas menores poderão ter despesas no curto prazo com sistemas, treinamento, atualização de processos e acompanhamento especializado. Ariane ressalta que o impacto não será igual em todos os setores e não significa necessariamente aumento de impostos para todos os negócios.

Diagnóstico começa em 2026

A recomendação é iniciar a preparação antes da entrada das mudanças. Em 2026, as empresas devem fazer um diagnóstico com a contabilidade, revisar sistemas de gestão e emissão de notas, organizar dados e simular cenários.

Para os negócios do Simples Nacional, também será necessário acompanhar prazos e regras ligados às opções disponíveis para 2027. A análise deve incluir fornecedores, clientes, custos, margens e o possível efeito dos créditos sobre as vendas para outras empresas.

“Uma empresa pode perceber que seu preço não é o único fator considerado pelo cliente: a possibilidade de geração de créditos tributários também pode passar a ter importância”, explica Ariane. A avaliação, segundo ela, não permite concluir que todo negócio do Simples perderá competitividade, mas exige atenção maior das empresas que vendem principalmente para outras empresas.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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