SÃO PAULO — A reforma tributária deve ser implementada a partir de janeiro para cinco candidatos à Presidência, mas há divergências sobre ajustes no sistema e sobre o cronograma de transição. Apenas Flávio Bolsonaro (PL) cogita adiar a substituição de tributos federais prevista para o início de 2027, medida que exigiria mudança na Constituição.
O levantamento da Roit, empresa de tecnologia tributária, analisou programas de governo e discursos dos candidatos. Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) defendem alterações sem mexer no calendário. Renan Santos e Augusto Cury propõem reduzir a carga sobre o consumo. Zema quer um sistema “sem exceções ou regimes especiais”.
Caiado, que atuou contra a aprovação da proposta, mantém críticas ao modelo e defende uma reformulação profunda, embora não proponha mudar as datas previstas. Lula (PT) apoia a reforma aprovada durante seu mandato e cita como benefícios a devolução de tributos para famílias do Cadastro Único de programas sociais e a desoneração da cesta básica.
A posição de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro apresentou posições diferentes durante a campanha. Em junho/2026, falou em “suspender por um ano” e fazer uma “nova reforma”. Em agosto/2026, passou a defender a correção de distorções e a redução do período de transição. Seu plano de governo também propõe cortar exceções setoriais criadas por lobbies.
Lucas Ribeiro, CEO da Roit, afirma que uma suspensão poderia ameaçar a arrecadação e a credibilidade após os investimentos feitos até agora. “Propor uma emenda constitucional neste momento seria uma insanidade”, disse.
Um grupo de 98 empresários, tributaristas, advogados, economistas e políticos enviou aos candidatos uma carta-manifesto pela continuidade do sistema. O documento afirma que interromper o processo criaria problemas para empresas, União, estados e municípios.
Governadores e transição
Entre os candidatos a governador, 30 se posicionaram sobre o tema. Desses, 21 apoiam a implementação, com ou sem ajustes. O grupo inclui os dois primeiros colocados na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes (SP).
Os eleitos em 2026 terão de conduzir a implantação ao longo dos próximos quatro anos. No governo federal, a mudança começa em 1º de janeiro. Para estados e municípios, a transição começa de fato em 2029, enquanto o comitê formado por representantes dessas administrações já trabalha na criação do novo sistema.
Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) defendeu a reforma após avaliar que São Paulo seria beneficiado, mas demonstrou dúvidas sobre o Comitê Gestor. Fernando Haddad (PT) reafirmou a necessidade de cumprir o calendário e prometeu “abrir a caixa-preta” dos benefícios fiscais do estado.
No total, a Roit monitorou 80 candidatos a cargos do Executivo. Quase metade, 39, ainda não havia tratado da reforma quando o levantamento foi feito, no início de setembro. As demais candidaturas apresentaram propostas como tributação progressiva do consumo, eliminação de impostos sobre consumo, maior taxação do capital, revisão de gastos e subsídios e imposto sobre transações financeiras.
Mateus Pontalti, sócio do escritório Feitosa Rodrigues Pontalti, afirma que os principais marcos da transição estão na Constituição. Segundo ele, alterações no regulamento podem flexibilizar a adaptação dos contribuintes em documentos eletrônicos, procedimentos de envio e cronogramas de exigências.




