Martin Lorentzon, cofundador do Spotify, afirmou que deixaria imediatamente a Suécia caso o país adotasse um imposto sobre grandes fortunas. Ele disse que preferiria permanecer, mas que uma cobrança desse tipo o obrigaria a sair.
A discussão ocorre antes das eleições de 13 de setembro. O Partido de Esquerda defende um imposto sobre bilionários, enquanto o Partido Verde propõe uma taxação separada sobre os mais ricos. Os dois partidos fazem parte da oposição de centro-esquerda liderada pelos sociais-democratas, que aparece à frente do bloco governista de direita nas pesquisas mais recentes.
A proposta enfrenta resistência do atual governo de centro-direita e de Magdalena Andersson, líder social-democrata. Ela descartou a retomada dos antigos impostos suecos sobre fortunas, heranças e doações. Investidores avaliam, contudo, quais acordos podem ser firmados depois da votação.
Lorentzon, cujo patrimônio líquido é estimado em mais de US$ 11 bilhões pelo Índice de Bilionários da Bloomberg, defendeu que os políticos considerem aumentar os impostos sobre o capital ou os dividendos. Para ele, cobrar anualmente sobre o patrimônio poderia levar empresários a vender participações em suas empresas para pagar os tributos.
“Não beneficia ninguém se empresários e geradores de empregos tiverem de vender partes de suas empresas para pagar impostos”, afirmou Lorentzon. Ele disse que a medida reduziria o número de empresas, inovações, investimentos em tecnologias ambientais e climáticas, contribuintes e recursos destinados ao bem-estar social.
Klas Tikkanen, executivo da Nordic Capital, afirmou anteriormente que as propostas poderiam provocar “um verdadeiro êxodo”. Empresários e consultores também disseram que alguns já avaliam a possibilidade de se mudar para o exterior.
Lorentzon afirmou que o debate já provocou prejuízos ao aumentar a incerteza. Segundo ele, recebe perguntas de empresários sobre a abertura de empresas na Suécia. Em artigo de opinião publicado no Expressen no sábado, disse apoiar a tributação progressiva, mas ser contra um imposto anual sobre o patrimônio. Para Lorentzon, fortunas frequentemente estão concentradas em participações ilíquidas, e não em dinheiro disponível.



