Michelle Bachelet anunciou neste sábado (19/09) que retirou sua candidatura à Secretaria-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A decisão veio após a ex-presidente do Chile perder apoio nas consultas informais realizadas entre integrantes do Conselho de Segurança.
A indicação havia sido apresentada conjuntamente por Chile, Brasil e México em fevereiro. Na consulta de sexta-feira (18/09), Bachelet recebeu um voto de incentivo e 11 manifestações contrárias. Na rodada anterior, em agosto, foram dois votos favoráveis, seis contrários e sete abstenções.
A economista costa-riquenha Rebeca Grynspan liderou a terceira consulta, com nove votos de incentivo, cinco contrários e uma manifestação sem opinião. Carolyn Rodrigues Birkett, da Guiana, teve oito votos favoráveis, seis contrários e uma abstenção.
Em comunicado enviado à ONU, Bachelet defendeu novamente a escolha de uma mulher latino-americana para suceder António Guterres. “Continuo acreditando que as Nações Unidas precisam e merecem ser lideradas por uma mulher”, escreveu.
A ex-presidente também agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à presidente do México, Claudia Sheinbaum, pelo apoio à candidatura. Brasil e México continuaram respaldando Bachelet mesmo depois que o governo chileno retirou seu apoio em março.
Apoio e sucessão
O Ministério das Relações Exteriores do Chile afirmou, ao anunciar a retirada do apoio, que a dispersão das candidaturas latino-americanas e as divergências com atores relevantes do processo inviabilizavam a postulação. O governo disse que não apoiaria outro candidato caso Bachelet decidisse continuar.
A desistência ocorre enquanto a escolha do sucessor de Guterres entra em sua fase decisiva. O atual secretário-geral está no cargo desde 2017 e encerrará seu segundo mandato em 31 de dezembro. O próximo chefe da ONU assumirá em 1º de janeiro de 2027, para um mandato de cinco anos.
A ONU nunca teve uma mulher como secretária-geral em seus mais de 80 anos de existência. A América Latina já teve um homem no posto: o peruano Javier Pérez de Cuéllar, que comandou a organização entre 1982 e 1991.
Bachelet presidiu o Chile de 2006 a 2010 e de 2014 a 2018. Ela também atuou em organismos das Nações Unidas, incluindo a ONU Mulheres e o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.




