O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que nunca manteve diálogos com Daniel Vorcaro e negou qualquer irregularidade, favorecimento ou conhecimento prévio de operações policiais envolvendo o ex-banqueiro.
Em manifestação enviada ao presidente do STF, Luiz Edson Fachin, na noite desta segunda-feira (14/09), Moraes classificou as acusações como “ilações absurdas” e afirmou que não há elemento que indique infração penal. O documento foi apresentado enquanto a Corte analisa a validade de uma investigação aberta a partir de informações extraídas do celular de Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
“Não há nenhuma, absolutamente nenhuma mensagem de autoria do ministro Alexandre de Moraes que indique qualquer consultoria jurídica, favorecimento ou conhecimento prévio de qualquer operação policial”, escreveu.
Investigação em análise
O julgamento está marcado para esta terça-feira (15/09). O procedimento foi instaurado pelo ministro André Mendonça com base em dados obtidos durante a Operação Compliance Zero, que investigou irregularidades envolvendo o Banco Master.
A partir do conteúdo encontrado no aparelho de Vorcaro, a Polícia Federal produziu um relatório com referências a Moraes. O ministro contesta a interpretação e afirma que anotações feitas por terceiros foram tratadas como mensagens dirigidas a ele.
Moraes também declarou que nunca julgou processos envolvendo Vorcaro ou interesses diretos do Banco Master. Segundo ele, a operação resultou na prisão do ex-banqueiro sem indício de vazamento, o que afastaria a hipótese de favorecimento.
A Procuradoria-Geral da República questionou o procedimento e defendeu sua anulação. Moraes sustenta que Mendonça não poderia ter iniciado a investigação contra outro ministro do STF por iniciativa própria, sem provocação da PGR e sem autorização do colegiado.
Críticas a Mendonça
Na manifestação, Moraes acusou Mendonça de conduzir uma ofensiva contra o Supremo e afirmou que a investigação teria representado uma tentativa de atingir a Corte. Para o ministro, a cronologia dos fatos indicaria um “desvio de finalidade político-eleitoral”.
Moraes também relacionou o episódio aos ataques às instituições democráticas. “A tentativa de Golpe não se encerrou em 8/1/2023, simplesmente mudou seu modus operandi”, afirmou.
O julgamento deverá definir se os elementos reunidos na investigação continuarão produzindo efeitos ou se o procedimento será considerado inválido. O plenário também analisará os limites da atuação de ministros em apurações que envolvem integrantes do próprio tribunal.



