São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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A adaptação hedônica transforma conquistas em rotina, diz William B. Irvine

Filósofo americano relaciona a busca constante por novas metas ao estoicismo e à mudança dos próprios desejos.

A adaptação hedônica transforma conquistas em rotina, diz William B. Irvine

A adaptação hedônica ajuda a explicar por que conquistas importantes deixam de produzir a mesma satisfação com o passar do tempo. O fenômeno ocorre quando uma novidade é incorporada à rotina e o nível de contentamento retorna aproximadamente ao patamar anterior.

William B. Irvine, filósofo americano e professor emérito da Wright State University, usa como exemplo os ganhadores de loteria. Depois da euforia inicial, eles tendem a ficar mais ou menos tão felizes quanto antes. A mansão recém-adquirida pode passar a receber a mesma atenção indiferente que antes era dada ao apartamento apertado.

O mesmo mecanismo aparece em situações comuns. Um celular que parecia indispensável pode virar um objeto banal em três semanas. Um aumento de salário pode deixar de ser percebido como extraordinário no quarto mês. Uma casa maior, obtida depois de anos de esforço, também pode perder espaço na atenção cotidiana. Os bens continuam tendo valor; o que muda é a forma como são percebidos.

A proposta do estoicismo

Para Irvine, a reação mais comum é buscar a próxima conquista: uma compra, um objetivo ou uma meta maior. Como a satisfação volta a cair, o ciclo se repete. Em vez de alterar continuamente as circunstâncias, o estoicismo propõe reorientar os desejos.

Irvine retoma Epicteto, filósofo do primeiro século, para apresentar a ideia de que o contentamento vem de mudar o que se deseja, e não necessariamente o mundo ao redor. A proposta não é deixar de querer coisas, mas aprender a valorizar o que já está disponível.

No livro, Irvine afirma: “A maneira mais fácil de alcançar a felicidade é aprender a querer as coisas que já temos”. Ele também observa que pensadores de diferentes lugares e épocas chegaram a uma conclusão semelhante. Para o filósofo, o conselho é fácil de formular, mas difícil de colocar em prática.

Entre os sinais da adaptação estão deixar de notar algo muito desejado no passado, sentir que a satisfação dura cada vez menos e descrever a própria vida principalmente pelo que falta. Esses sinais, diz a abordagem, não representam uma falha pessoal, mas o funcionamento habitual desse processo.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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