A busca direta por felicidade e sucesso pode produzir o efeito contrário, segundo Viktor Frankl. Para o psiquiatra, esses resultados precisam surgir como consequência da dedicação a uma causa maior ou da entrega a outra pessoa, e não como alvos isolados.
“Não mirem o sucesso, porque quanto mais se mira nele e se faz dele um alvo, mais se erra”, dizia Frankl aos alunos. A formulação aparece ampliada no prefácio à edição de 1992 de Em Busca de Sentido: sucesso e felicidade não podem ser perseguidos; precisam resultar.
O mecanismo descrito por Frankl
Na logoterapia, abordagem criada por Frankl, a hiperintenção é a concentração excessiva em um objetivo, que acaba impedindo sua realização. A hiper-reflexão, por sua vez, consiste na observação exagerada do próprio desempenho e pode produzir o mesmo efeito.
A insônia é o exemplo clínico usado para explicar o mecanismo. A pessoa tenta dormir, fica ansiosa por não conseguir e transforma essa ansiedade no fator que a mantém acordada. A técnica chamada intenção paradoxal propõe tentar permanecer acordado, em vez de forçar o sono.
A mesma lógica, segundo Frankl, vale para a felicidade. Ela não seria um objeto a ser buscado, mas um estado que aparece quando a pessoa se dedica a outra finalidade. Para explicar a ideia, ele compara a felicidade ao riso: mandar alguém rir não funciona; é preciso contar uma piada.
O sucesso como efeito não planejado
Em Busca de Sentido foi escrito inicialmente para publicação anônima, sem a intenção de ser assinado por Frankl. O livro acabou entre os títulos de psicologia mais vendidos da história e foi traduzido para dezenas de idiomas. O caso era usado pelo próprio autor como exemplo de sucesso que veio justamente por não ter sido perseguido.
Viktor Emil Frankl nasceu em 1905, em Viena, e morreu em 1997. Neurologista e psiquiatra, criou a logoterapia, que coloca a busca de sentido como motivação central do ser humano. A teoria foi esboçada antes da guerra e, segundo ele, confirmada pela experiência como prisioneiro em campos de concentração entre 1942 e 1945.
A ideia não é abandonar metas, esperar passivamente ou rejeitar a ambição. Frankl defendia ouvir o que a consciência indica e executar da melhor forma possível. Também tratava intenção paradoxal e desreflexão como técnicas clínicas, aplicadas por profissionais em contextos específicos.



