BRASÍLIA — A campanha de Lula ampliou, na reta final da disputa presidencial, a frequência de viagens, entrevistas e publicações para mobilizar eleitores mais fiéis. A estratégia inclui ações voltadas a fã-clubes de artistas pop, com foco em segmentos considerados mais propensos a apoiar o petista e no eleitorado jovem.
Os canais oficiais de mobilização passaram a publicar referências a grupos que declararam apoio a Lula. Entre os exemplos está “Anitters com Lula”, associado a uma cantora que manifestou voto no presidente em 2022. Marina Sena e Luísa Sonza também tiveram suas imagens usadas em publicações após manifestações anteriores favoráveis a Lula.
A Secretaria de Juventude do PT idealizou os conteúdos para as redes sociais. Nesta sexta (18), anunciou uma “plenária com fandoms”, cuja pauta de inscrição é a articulação nacional dos fã-clubes para a reeleição de Lula.
A série de posts começou com uma publicação relacionada ao aniversário de Beyoncé. A ideia é estimular os fãs a republicarem o apoio ao presidente em seus próprios perfis. Um integrante da campanha afirmou que fã-clubes como o de Ana Castela não foram incluídos nessa etapa, porque a prioridade é dada a artistas mais alinhados a pautas consideradas progressistas.
Foco da reta final
A mobilização dos fã-clubes ganhou espaço depois de um evento no Palácio do Planalto que reuniu esses grupos para a sanção de uma lei que tornou obrigatória a oferta gratuita de água potável em eventos com mais de 1.000 pessoas. A participação foi articulada pela deputada federal Erika Hilton.
A cerimônia ocorreu após a morte de uma fã em decorrência do calor durante um show de Taylor Swift no Rio de Janeiro, episódio que impulsionou o debate sobre a infraestrutura de eventos desse porte.
Dentro da campanha, a orientação para o período final é investir em militância e na divulgação das propostas de governo. A intenção é fazer contraponto a Flávio Bolsonaro, apresentado como adversário que não teria detalhado medidas concretas para um eventual governo.
Economia e segurança pública passaram a aparecer nas redes e nos programas eleitorais com o avanço da disputa. Na última quinta-feira (17), o primeiro programa de Lula a tratar do preço dos alimentos e dos Microempreendedores Individuais relacionou a alta dos preços a decisões do governo Bolsonaro. O vídeo exibiu imagens de um prato vazio e de ossos com carne passada, referência à “fila do osso” da eleição de 2022.
Os primeiros programas eleitorais haviam priorizado a defesa da soberania nacional, incluindo a exploração de minerais críticos e de terras raras sem interferência estrangeira.




