SALVADOR — O senador Jaques Wagner (PT-BA) criticou o modelo atual de distribuição das emendas parlamentares e afirmou que o volume dos recursos ultrapassa R$ 55 bilhões. Para ele, as emendas passaram a ser usadas como instrumento de negociação política. Wagner disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende discutir o tema.
“Isso virou, me desculpe, um bordel. Em vez de discutir política e o interesse da população, está se discutindo quem dá mais”, afirmou o senador. Ele também declarou que, no formato atual, a democracia brasileira está sendo corroída.
Discussão no Supremo
Em sabatina à Rádio Metrópole, nesta quarta-feira, 16, Wagner defendeu que o Supremo Tribunal Federal (STF) adie para depois das eleições a análise dos procedimentos relacionados aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. O senador afirmou que a disputa eleitoral passou a influenciar a atuação de integrantes da Corte.
A sessão desta terça-feira, 15, terminou sem definição sobre a análise conjunta ou separada dos casos, depois de discussões entre ministros. Wagner avaliou que o pedido de vista apresentado pelo ministro Flávio Dino pode ajudar a reduzir a tensão no tribunal.
“Ainda bem que o ministro Flávio Dino pediu vista, porque pelo menos suspendeu para baixar a bola, as pessoas se conversarem e poder chegar a uma decisão”, disse.
O senador também questionou o que chamou de exposição seletiva de personagens citados nas investigações. Ele mencionou a informação de que Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, era investigado desde junho em um procedimento ligado ao caso Dark Horse.
Wagner classificou o episódio no STF como prejudicial à democracia e comparou o confronto entre ministros a um programa de televisão. Para ele, o debate não deveria envolver acusações públicas entre integrantes da Corte.
Propostas eleitorais
O senador defendeu o fim da reeleição para cargos do Executivo, mandatos de cinco anos e a realização simultânea de eleições municipais e gerais. A proposta, segundo Wagner, levaria os eleitores às urnas de cinco em cinco anos para escolher representantes de vereador a presidente da República.




