BRASÍLIA — A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta terça-feira (8) para manter o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal (PF). O julgamento foi suspenso depois que o ministro Gilmar Mendes pediu vista do processo.
Kassio Nunes Marques e Luiz Fux votaram para acompanhar o relator, André Mendonça, em menos de dez minutos após o início da sessão virtual. O pedido de vista tem prazo de 90 dias, mas não altera o efeito da decisão cautelar de Mendonça, que também afastou Leandro Almada, diretor de Inteligência da PF.
A medida foi tomada após Mendonça considerar inválido um relatório interno da PF usado pelo ministro Alexandre de Moraes para pedir uma investigação contra o próprio relator por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O documento apontava que Mendonça teria direcionado investigações contra Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com quebra de imparcialidade e favorecimento a grupos políticos.
Relatório e crise no STF
Mendonça afirmou que o relatório não tinha validade e classificou como grave e ilícita sua produção. Para o ministro, o documento era apócrifo, sem timbre ou outro elemento que permitisse confirmar sua autoria e a data de elaboração.
O material teria apontado ainda o monitoramento de Mendonça e do chefe da Advocacia-Geral da União por pelo menos 30 dias neste ano. A decisão também menciona medidas de monitoramento e coleta dirigida, além de uma suposta proximidade entre os dois por frequentarem as mesmas igrejas.
O relatório foi produzido a pedido de Mendonça e identificava Moraes como interlocutor de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O documento também fazia menções a Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Moraes pediu a investigação de Mendonça com base em outro relatório de inteligência da PF, que apontaria métodos supostamente irregulares.
O presidente do STF, Edson Fachin, determinou na última semana que Mendonça, Moraes, Gonet e Rodrigues prestem informações. Fachin sinalizou que pode levar a discussão ao plenário da corte.
Rodrigues cancelou a participação em um evento de formação profissional de agentes após receber a notícia do afastamento. Na Academia Nacional, em Brasília, 735 alunos aguardaram cerca de 50 minutos até William Murad, diretor-executivo e número 2 da PF, substituí-lo na abertura.




