A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) manifestaram preocupação com a crise político-institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
A posição foi divulgada nesta quarta-feira (9), em uma nota conjunta que já contava com a assinatura de outras 57 entidades científicas. O documento defende a apuração rigorosa e imparcial de suspeitas e possíveis irregularidades relacionadas às tensões entre instituições centrais da República.
As organizações afirmam que a responsabilização individual deve ser analisada pelas instâncias competentes, com garantia de ampla defesa e contraditório. Também rejeitam medidas de proteção pessoal para autoridades que possam ter violado a lei e sustentam que nenhuma autoridade deve ficar fora do escrutínio público.
A nota alerta ainda que a instabilidade pode ser usada para disseminar desinformação ou atacar o regime democrático. As entidades criticam a divulgação seletiva de materiais sob investigação, por considerá-la incompatível com a transparência e com o respeito às instâncias responsáveis pela decisão sobre os fatos.
Em entrevista, a presidenta da SBPC, Francilene Garcia, disse que a iniciativa não pretende defender pessoas nem interesses político-partidários. Segundo ela, o objetivo é preservar a independência das instituições democráticas e os interesses da comunidade científica e da sociedade. Garcia afirmou que a integridade institucional afeta a vida republicana e que a crise também prejudica a qualidade do debate pré-eleitoral.




