BOTUCATU — A inteligência artificial passou a ser usada por campanhas brasileiras para definir onde candidatos devem concentrar tempo, dinheiro e comunicação. A Seja Eleito Brasil, consultoria sediada em Botucatu, no interior de São Paulo, oferece duas plataformas próprias para esse trabalho: a Horus Data e a Máquina de Narrativas.
A Horus cruza resultados do TSE por seção e por setor censitário, dados socioeconômicos do IBGE, indicadores de saúde e segurança e o noticiário local. O sistema mapeia setores com voto consolidado, áreas com votos disponíveis e locais que não justificam deslocamentos. Também calcula o Score Horus, índice de viabilidade que vai de 0 a 100 e reúne mais de 40 variáveis.
Em uma análise para um pré-candidato do litoral paulista, a plataforma encontrou 57 setores nos quais candidaturas de terceira via ficaram acima da média nas últimas dez eleições. Também identificou 296 setores com população envelhecida e 271 com concentração de jovens de baixa escolaridade. A ferramenta inclui CRM de eleitores, gestão de lideranças e alertas diários de recomendação. Os planos começam em R$ 490 por mês.
Produção de conteúdo
A Máquina de Narrativas foi criada para candidatos com equipes pequenas ou sem estrutura. Ela gera roteiros de vídeos, posts, stories e reuniões a partir do perfil e das bandeiras do candidato. A plataforma monitora notícias do nicho em tempo real e oferece teleprompter integrado. A assinatura custa R$ 97 por mês ou R$ 890 por ano, com sete dias de teste gratuito.
José Conte, jornalista responsável pelas plataformas, afirma que a tecnologia é voltada à organização do trabalho do candidato. “Quando você tem dado, você para de adivinhar”, disse.
Conte atua na imprensa desde 2001 e em campanhas desde 2008. Segundo ele, a consultoria já atendeu mais de 200 campanhas em todas as regiões do país. Em um caso citado pela empresa, um candidato de Miguelópolis (SP) que estava em terceiro lugar terminou eleito prefeito em 2016, com 57,98% dos votos válidos, 7.406 votos contra 5.152 do segundo colocado.
Regras eleitorais
Em março de 2026, o TSE aprovou a Resolução 23.755/2026. A norma exige identificação explícita de conteúdo sintético, proíbe deepfakes destinados a favorecer ou prejudicar candidaturas e veda recomendações eleitorais feitas por sistemas de IA.
Conte afirma que a Máquina produz conteúdo com o rosto, a voz e a fala do próprio candidato. Sobre a Horus, diz que o sistema é usado por coordenadores de campanha e não conversa diretamente com eleitores.
A demanda também é associada ao número de concorrentes. Em São Paulo, mais de mil candidatos disputam 70 cadeiras da bancada federal. No Distrito Federal, são 419 nomes para 24 vagas na Câmara Legislativa.
A metodologia das plataformas é organizada em cinco pilares: Radar de Relevância, Arquitetura de Autoridade, Narrativa de Impacto, Engenharia de Valor e Conversão Invisível. Para Conte, o software não substitui a atuação presencial, mas ajuda a evitar que o candidato concentre os últimos trinta dias de campanha no lugar errado.



