SÃO PAULO — Investigações da Polícia Civil de São Paulo apontam que o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à produtora Karina Ferreira da Gama, antecipou a instalação de pontos de wi-fi durante as eleições municipais de 2024.
Uma representação da Polícia Civil de SP, de maio de 2026, afirma que o instituto alcançou 1.605 pontos ativos no final de outubro de 2024. Após o encerramento do período eleitoral, o ritmo teria diminuído: o total chegou a 3.200 pontos em junho de 2025, enquanto 1.800 unidades previstas não foram instaladas.
Repasses durante a eleição
O ICB mantém contrato de R$ 108 milhões anuais com a Prefeitura de SP para instalar pontos de wi-fi na periferia da capital. Durante a eleição, o município repassou R$ 69 milhões ao instituto. O valor previsto para o período era de R$ 43 milhões.
A diferença de R$ 26 milhões teria causado prejuízo à prefeitura, porque os serviços pagos não teriam sido executados, conforme denúncia recebida pela Polícia Civil.
O contrato continua vigente. O prefeito Ricardo Nunes anunciou que a administração municipal acionaria o STF para consultar o ministro Flávio Dino sobre a necessidade de rescindir o acordo.
Dino determinou que a Polícia Federal abra um inquérito específico para investigar o contrato e ordenou a suspensão de qualquer pagamento de contratos do Poder Público com o instituto.
Investigação no STF
O caso envolve o deputado federal Mário Frias, que tem foro privilegiado. A apuração também considera indícios de que os fatos fariam parte de um único esquema de desvio e lavagem de dinheiro. Por isso, o STF assumiu o processo.
Karina Ferreira da Gama é produtora do filme “Dark Horse”, que contará a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. A produção teria sido financiada por Daniel Vorcaro, ex-dono do extinto Banco Master.



