SÃO PAULO — Uma mensagem enviada por Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes ampliou as suspeitas da Polícia Federal sobre os preparativos do ex-dono do Banco Master antes da Operação Compliance Zero. Em 15 de novembro de 2025, Vorcaro perguntou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Quarenta e oito horas depois, foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos quando tentava embarcar em um jato particular com destino final aos Emirados Árabes.
O diálogo integra um relatório da PF cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça. Nesta quinta-feira (10), Mendonça também liberou documentos das principais investigações sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal, após solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin.
A PF afirma que Vorcaro teve conhecimento antecipado da operação e reuniu indícios de que ele se movimentou para deixar o Brasil. O relatório aponta que a tentativa de embarque na véspera da ação dificilmente foi uma “mera coincidência”.
Registros antes da operação
Em outubro de 2025, Vorcaro anotou no celular nomes de representantes da Polícia Federal que teriam participado de uma reunião reservada com o Banco Central. Em 16 de novembro, registrou uma pergunta sobre a possível proximidade de um terceiro com o juiz federal Ricardo Soares Leite, responsável por autorizar medidas contra ele.
No dia 17 de novembro, depois de receber mensagens urgentes do advogado Walfrido Warde, Vorcaro alterou os planos e informou que providenciaria um voo. Também acompanhou uma reportagem sobre uma investigação na 10ª Vara Federal de Brasília. Na sequência, a defesa pediu acesso ao inquérito.
A PF cita ainda contatos com servidores do Banco Central e a organização de uma reunião virtual no mesmo dia. Para os investigadores, as conversas indicam busca por interlocução em órgãos públicos enquanto a saída do país era planejada.
A primeira fase da Compliance Zero foi deflagrada no dia seguinte à interceptação. Vorcaro foi solto cerca de dez dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. As informações reunidas pela PF serviram de base para um novo pedido de prisão preventiva, assinado em fevereiro de 2026. Em março, ele voltou a ser preso.




