Luiz Inácio Lula da Silva se prepara para tentar um quarto mandato como presidente do Brasil, perto de completar 81 anos. A trajetória inclui a liderança sindical no ABC Paulista, a eleição como primeiro presidente brasileiro vindo da classe trabalhadora, dois mandatos no Planalto, a prisão por corrupção e o retorno à Presidência em 2023.
Da greve ao Planalto
Em março de 1979, Lula presidia o sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo quando liderou uma greve durante a ditadura militar. Nelson Campanholo, que conheceu Lula em 1967, participou daquele movimento. A mobilização levou dezenas de milhares de pessoas ao estádio da Vila Euclides, onde Lula discursou com um megafone.
Para Josué Medeiros, cientista político da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aquele período marcou o nascimento de uma liderança. Outras greves foram convocadas e, em 1980, Lula e Campanholo ficaram detidos por várias semanas.
Em 27 de outubro de 2002, depois de três derrotas eleitorais, Lula venceu o segundo turno e sucedeu Fernando Henrique Cardoso. A eleição de um ex-operário foi descrita por Medeiros como uma confirmação da democracia brasileira. Campanholo recorda a emoção de ver um trabalhador chegar à Presidência.
Nos dois primeiros mandatos, entre 2003 e 2010, Lula ampliou sua atuação internacional e se consolidou como liderança do Sul Global. Em março de 2009, apareceu ao lado de Barack Obama em uma reunião na Casa Branca. No mês seguinte, durante o G20 em Londres, Obama afirmou: “Eu adoro esse cara. Ele é o político mais popular na Terra”.
Prisão e retorno
Em 7 de abril de 2018, Lula foi levado a Curitiba para cumprir pena de prisão por corrupção. O deputado Kim Kataguiri avaliou, naquele momento, que a prisão representava o funcionamento das instituições e o cumprimento das leis. Lula permaneceu 580 dias preso. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou suas condenações por questões processuais.
Em 1º de janeiro de 2023, Lula tomou posse para um terceiro mandato e subiu a rampa do Palácio do Planalto ao lado do cacique Raoni Metuktire e de representantes da sociedade civil. Ele havia sido eleito em outubro de 2022, por margem estreita, após uma campanha contra Jair Bolsonaro.
Medeiros vê a imagem da posse como símbolo de união, mas afirma que o país continua polarizado. Na disputa por um novo mandato, o principal rival de Lula será Flávio Bolsonaro, filho mais velho do antecessor.



