A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a direcionar os ataques a Flávio Bolsonaro (PL) na reta final antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. A mudança ocorre em um cenário de disputa apertada nas pesquisas e em meio às discussões sobre o senador e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
No Datafolha divulgado em 17 de setembro, Lula registrou 39% das intenções de voto no primeiro turno, ante 36% de Flávio. Em uma simulação de segundo turno, os dois tiveram 46% e 44%, respectivamente, dentro da margem de erro.
A orientação transmitida aos aliados petistas é usar politicamente as investigações que envolvem Flávio e Vorcaro. A campanha também passou a citar uma empresa ligada ao senador que compartilha endereço em Brasília com outras companhias associadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
Flávio é investigado pela Polícia Federal desde julho em uma apuração sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam condenação.
A ofensiva também tenta tirar o foco da crise relacionada ao Supremo Tribunal Federal (STF) e às mensagens atribuídas a Vorcaro. Lula tem associado o adversário às apurações sobre o Banco Master e afirmado que a autorização para o funcionamento da instituição ocorreu durante o governo de Jair Bolsonaro. O banco foi liquidado na atual gestão.
Na frente administrativa, o governo ampliou a divulgação de medidas voltadas à população. A agenda inclui a correção de 15,04% do Bolsa Família, a possibilidade de oferta de medicamentos para obesidade pelo SUS, estudos sobre a compra de dívidas antigas e debates sobre novas limitações para bets.
O PT prepara mobilizações nacionais para 21 e 27 de setembro, além de ações de campanha nas 48 horas que antecedem a votação.



