Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (10) a discussão sobre mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao SBT News, o presidente afirmou que ninguém deveria permanecer 40 anos no mesmo cargo e também questionou a atuação de advogados na Corte.
"Hoje, acho que é preciso a gente discutir um mandato para a Suprema Corte", declarou Lula.
O presidente também apoiou uma nova reforma do Judiciário, mas disse que ainda não definiu quais mudanças pretende propor. Segundo Lula, será necessário ouvir especialistas e a sociedade civil antes de estabelecer o conteúdo da reforma, que abrangeria todas as instâncias do Poder Judiciário.
A manifestação ocorre durante uma crise institucional no STF, intensificada nas últimas duas semanas pelas investigações sobre o caso Master. Os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli foram citados na apuração envolvendo o banco de Daniel Vorcaro.
Toffoli deixou a relatoria da investigação após a pressão relacionada a um resort no Paraná, do qual foi sócio e que foi comprado por um fundo ligado a Vorcaro. Depois, mensagens entre Vorcaro e Moraes foram divulgadas. A investigação também apontou que Moraes editou o contrato entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Master.
O atual relator do caso, André Mendonça, pediu a investigação de Moraes. Em reação, Moraes usou o inquérito das fake news para acusar Mendonça de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade, além de solicitar que o colega também fosse investigado.
Conflito no Supremo
Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. No dia seguinte, o ministro Flávio Dino devolveu o cargo e anulou a decisão.
Diante do conflito, o presidente do STF, Edson Fachin, retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news, anulou o afastamento de Andrei Rodrigues e marcou para a próxima terça-feira, 15, a análise do pedido de investigação contra Moraes.




